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21.7.11

Soy antropóloga

“É pra qual jornal mesmo?” é a pergunta que acaba com qualquer entrevista feita por um estudante de jornalismo. Como falar para uma fonte, especialista ou dona de uma tapiocaria, que a reportagem é uma atividade de aula e não vai ser publicada? O entrevistado te dá nome completo, idade, celular, CEP e nome do cachorro enquanto o futuro jornalista foge de maiores satisfações e às vezes inventa um jornal-laboratório que não está produzindo.

O clima é outro numa pesquisa de campo antropológica. Você conversa com Eduardo, o segurança, João pipoqueiro e o José do guarda-volumes da rodoviária. Sem nem perguntar o sobrenome e ainda pode anotar que o José era medido a comunicólogo e o João, mal criado. A entrevista acaba e eles te deixam ir sem a pergunta que assusta principalmente aos calouros: onde vai ser publicado?

Jornalismo e antropologia não são cursos tão diferentes. O trabalho começa com apuração em campo e termina num escritório, quando é hora de escrever o texto jornalístico ou acadêmico. Teóricos das duas áreas tiveram a mesma ideia de associar os cinco sentidos à prática de cada profissão. Tanto Ryszard Kapuściński quanto Roberto DaMatta valorizam o jornalista e antropólogo, respectivamente, que ouvem, olham, cheiram e sentem suas pautas e seus objetos de estudo. Pelo menos na antropologia o mito da objetividade já foi derrubado e o eu do etnógrafo, quem faz a pesquisa de campo, aparece nas pesquisas mais recentes. O jornalista direciona entrevistas, decide o que fotografar e seleciona fontes, mas consideramos nossa prática objetiva. Preferimos a notícia livre da subjetividade que o preço da gasolina livre de impostos.

A apuração do antropólogo pode durar seis meses, dois anos, o tempo suficiente para ele conhecer toda a cultura de uma população numa ilha perdida do pacífico, no meio da selva amazônica ou no próprio bairro onde mora. Jornalista tem que agir como se conhecesse um estado a três mil quilômetros de distância depois de passar no máximo sete dias no local e ainda trazer informação relevante. Texto jornalístico não prevê um capítulo sobre dificuldades de pesquisa, principalmente com a economia de caracteres feita para caber anúncios cada vez maiores nas páginas dos jornais. Editor é a figura que o jovem jornalista mais teme. Nem se vê tentando vender uma pauta que precisaria de meses de apuração e, quem sabe, mais de um ano para escrever o texto completo, como num doutorado. Nesse caso, o editor perfeito seria o CNPq, a Fapesc ou orientador de TCC.

Uma dica que a professora de antropologia dá num portunhol enrolado aos estudantes, que não sabiam o que era pesquisa de campo até então, é para não se acostumar com os detalhes de uma cultura e anotar num diário todas as experiências. Se o pesquisador começa a achar normal a rotina de uma tribo que pratica rituais secretos e privados, logo acha desimportante o exorcismo de demônios bucais, o apego a poções mágicas e ao curandeiro e tendências masoquistas, como o rito exclusivamente masculino de raspar e lacerar o rosto com um instrumento afiado. Agora imagine um jornalista que propõe pautas como “Homens e mulheres utilizam hoje aparelhos movidos a um líquido amarelado para chegar aos locais de trabalho”, “Brasileiros se vestem para mais um dia” ou “1 milhão de bebês desconhecidos nasceram hoje no país”.

Com ou sem subjetividade e anúncios gigantescos deformando as matérias impressas, bom seria se o deadline pudesse esperar que os jornalistas compreendessem toda uma realidade e traduzissem a apuração num texto digno de Esso. E que os entrevistados dos ainda universitários, apressados com o próximo compromisso, esquecessem todos de perguntar do destino daquela reportagem. Como diria a professora, “A diferença entre antropologia e jornalismo é que ninguém sabe o que é antropologia”. O João pipoqueiro era tão mal criado que nem quis saber por que eu estava fazendo tantas perguntas.

p.s.: Crônica produzida para a disciplina de Redação V e que será publicada na Zero Revista assim que terminarmos de arranjar ilustrações e diagramar.

10.7.11

Todo jornalismo é investigativo?

O 6ª Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) foi, como já esperava, bem diferente das minhas experiências acadêmicas no campus da Trindade. Viagem de ônibus, quarto triplo e a desvantagem de ficar carregando minha mala cor-de-rosa e florida em alguns momentos. Valeu a pena para entrar em contato com profissionais muito competentes e assistir a palestras com jornalistas já formados, alguns que foram de Manaus, Salvador ou de Fortaleza. Desisti de falar de cada palestra, não ficaria muito produtivo.



Recebi dicas de como trabalhar em equipe para produzir grandes reportagens de uma jornalista d'O Globo que cobre administração pública. Interessante pensar que, para tocar projetos como o acompanhamento da evolução salarial de deputados do Rio de Janeiro, os jornalistas tiveram que trabalhar fora do expediente e fazer uma baita pré-apuração antes de vender a pauta aos editores. 

Ouvi um pouco sobre o impacto do vazamento de documentos pela Wikileaks no jornalismo pelo islandês que é o número dois da organização. Ele também falou o nome daquele vulcão impronunciável para estrangeiros: Eyjafjallajökull. Mas a melhor parte foi quando Natália Viana, da Agência Pública, falou dos  documentos sobre o Brasil e contou das parcerias com a Folha e O Globo.

O debate sobre rádio e TV foi caloroso. Boechat e Heródoto Barbeiro (pai dos manuais que eu li quando caloura) têm uma presença muito forte e opiniões pertinentes, às vezes contrárias, sobre os dois veículos. Algo muito interessante que o Heródoto falou foi que jornalistas têm o hábito de confundir suporte com novo veículo de comunicação. A transmissão de sons através da internet continua sendo rádio. E, olha, se eu fosse homem e não tivesse um vozeirão desses ficaria um tanto frustrado.

O evento oferecia várias palestras ao mesmo tempo e acabei optando por uma sobre jornalismo e tablets em vez de assistir ao João Moreira Salles. Continuo interessada pelo assunto, o problema foi que nenhum dos participantes sabe o que será do jornalismo para tablets. Fiquei com a sensação de que ninguém do jornalismo brasileiro sabe, sei lá.

No último dia, tive palestra com o Marcelo Tas que mostrou, novamente, que tem muita coisa interessante para passar para gente. E percebi também que os outros estudantes de jornalismo só queriam saber sobre o "Proteste já!" e eu queria saber sobre jornalismo de humor, o tema da conversa. No comecinho, foi tão legal ouvir sobre os limites do humor no jornalismo, que às vezes a precisão jornalística é abandonada e depois o assunto desandou.

Tive contato também com um programador e jornalista do NY Times que falou sobre jornalismo de base de dados. Muito interessante, mas a plateia, eu inclusive, não soube fazer boas perguntas para que ele desse boas pistas de como a gente pode fazer o que eles já fazem muito bem.

Assisti a outras palestras que não comentei aqui, experimentei usar iPads que o Estadão disponibilizou e recebi jornais de graça. Nós 600 participantes do congresso conseguimos acabar o café da lanchonete da Anhembi Morumbi, anotamos muito nos nossos bloquinhos personalizados e perseguimos muitos jornalistas depois das palestras. Nós da Semana do Jornalismo da UFSC aproveitamos para fazer contatos, conseguimos fechar a mesa sobre jornalismo no Oriente Médio, fizemos o Moreira Salles finalmente confirmar presença na palestra de encerramento e tivemos ideias de trazer pessoas que estavam faltando na nossa programação.

Ano que vem estarei lá de novo e não perdoo os futuros focas de Sampa que não forem (Sim, estou falando de você, Lu). Só tomarei cuidado para pegar palestras mais práticas e aprender coisas de verdade.

Mais: Cobertura completa do evento.

13.6.11

Mais da semana tibetana

O monge Tenzin Thutop trabalhando pacientemente na mandala

No início do ritual de desmantelamento, eu já estava posicionada com a câmera.
Claustrofobia define, olha o tanto de gente.

A areia da mandala foi varrida com uma vassourinha como se ela fosse um nada.
Triste, não nasci pra ser budista.

Essa mandala de areia construída e desmantelada no hall da reitoria me marcou bastante porque foi meu único contato com a cultura tibetana e a religião budista. Sem contar o significado desse ritual, que purifica o local onde é realizado. E sabe por que a mandala é destruída? Para preservar a aura da arte (ela sempre será lembrada como naquele momento, quando estava perfeita) e para simbolizar a impermanência das coisas. Além de praticar o desapego, o budismo é pós-moderno, líquido e "tudo que é sólido desmancha no ar". Vejam só!

O encerramento da Semana Tibetana teve uma mesa de discussão sobre mídia e Tibete. Foi o único evento acadêmico que eu paguei na minha vida ufisquiana e lá se foram vinte pilas. Valeu a pena. Arthur Verissimo, o gonzo da revista Trip, faltou e não fez falta. Haroldo de Castro, da Época, Luis Pelegrini, da Revista Planeta, e Airton Ortiz, escritor solto na vida, foram os participantes. Todas as experiências compartilhadas eram muito interessantes. Mas a melhor história foi a do Airson Ortiz, reacendendo o desejo de mudar o mundo que todo projeto de jornalista tem. Já tinha deixado isso de lado, pra falar a verdade, nunca tinha pensado muito no lado super-herói dos jornalistas, mas aí veio o Ortiz com seu chapéu de Indiana Jones....

Na época que foi ao Tibete, em 2000, não estavam deixando entrar jornalistas. Na Índia, recebeu a proposta de entrar lá com identidade, visto e passaporte falsos. Aceitou e foi como assistente de um professor da Unicamp que nem sabia da história. Em contrapartida, deveria entregar uma carta para um tal tibetano. Aceitou, entregou a carta, fez suas reportagens. Tempos depois, a terceira pessoa na hierarquia budista e sucessor do próprio Dalai Lama conseguiu fugir do Tibete dominado pela China através do Himalaia e foi buscado por um avião clandestino no Nepal. A carta que Ortiz entregou informava o local e horário de partida desse avião. Agora minha referência de jornalista de qualidade é ajudar a salvar um futuro Dalai Lama. Simples assim.

Mais informações
Haroldo de Castro postou no blog da Época sobre a mandala e a Semana Tibetana
Fotos que o pessoal do Cotidiano.ufsc tirou

3.6.11

Monge tibetano

O interessante de Universidade Federal são os eventos curiosos tipo o concurso de cartazes contra homofobia. E mais estranho do que realizarem uma semana de cultura tibetana aqui em Floripa é a II Semana de Cultura e Arte Tibetana. Tirando as palestras, jantares temáticos, exposições, tem um monge no meio da reitoria da UFSC construindo uma mandala de areia desde sábado passado. Ele vai montando a mandala praticamente de grão em grão das 9h às 18h. Eu que estou fazendo a disciplina Telejornalismo II para aprender alguma coisa de tele nessa vida resolvi cobrir isso. Beleza.

Ontem fui no meu horário de almoço fazer as primeiras imagens. Sozinha, porque minha dupla resolveu viajar pro interior do Rio Grande do Sul para um evento de modelos. Só espero que ela não vá direto de lá para a Europa, vai que. Os equipamentos daqui são OK, mas cada tripé, por exemplo, está quebrado de uma maneira diferente e você tem que aprender a lidar com esse tipo de defeito. O de ontem de vez em quando escorregava e a câmera que custou 20 mil reais (em 2000, hehe) poderia cair no chão a qualquer momento. Lembrando que eu estava sozinha. Desisti desse tripé problemático e fui fazer câmeras nervosas tentar fazer imagens estáveis mesmo sem apoio. Fui deitar o tal tripé no chão e, tcharã, meu sutiã rompeu, quebrou, ali no meio da reitoria. Continuei as imagens e só depois fui dar um jeito no probleminha.

Hoje era a aula de Tele2, o professor deu uma olhada no que eu tinha gravado e acabei saindo para gravar, de novo sozinha oh vida, imagens que faltaram. O tripé de hoje era infinitamente melhor, tudo estava dando certo. Daí o monge fez uma pausa e lá fui eu metida com minha câmera entrevistá-lo. EM INGLÊS. Ele estava sentado, então fui sem tripé e deixei o tal encostado num canto. Entrevistei um monge budista. Que falava inglês. E consegui fazer um enquadramento com o tripé no fundo. Parabéns, Luisa!

Não achei foto decente da mandala, então aí vai o boletim da TV UFSC enquanto o meu não fica pronto.

23.5.11

16 semanas


Faltam exatas 16 semanas para começar a 10ª Semana do Jornalismo, evento criado em 2000 pelos estudantes de Jornalismo da UFSC e que deixou de acontecer em dois anos por causa de greves. Tradicionalmente é o pessoal da quinta fase que guia a organização do evento e vocês lembram quem está cursando esse período, né? Ano passado já tinha me envolvido, fazendo contato com os ministrantes dos minicursos e tomando conta dessa parte da infraestrutura. Agora esse envolvimento é muito maior, tem que coordenar, pensar no patrocínio, na programação, nos convidados, bem tranquilo pra quem não tem uma minutinho livre no horário comercial. 

Ainda não temos nenhum convidado confirmado. Já fizemos uma webconferência com o Marcelo Tas, que atingiu mais de 1500 visualizações. O Tas veio na 7ª Semana do Jor em 2008, ainda era vestibulanda e era o primeiro ano do CQC. Queremos fazer mais webs com convidados legais que já participaram das outras semanas, uma das maneiras que pensamos para reinventar o evento e comemorar a décima edição. 

O que você(eu) faz(faço) quando está organizando uma semana acadêmica:

1) Tentar projetar a voz para que as pessoas te escutem nas reuniões semanais e ainda ter que fazer a ata.

2) Pensar em temas interessantes e procurar possíveis convidados que possam encher o auditório.

3) Ajudar na elaboração da identidade visual sem entender bulhufas de design.

4) Pensar em 1001 maneiras de arrecadar dinheiro e implorar patrocínios.

5) Numerar rifas de madrugada.

6) Dançar com uma máscara de Patrícia Poeta/Bonner/Fátima/Tiago Leifert/Cacau Menezes na fila do Restaurante Universitário para divulgar a festa Boa Noite!, também para arrecadar dinheiro...

7) Mandar um e-mail super querido pro Antonio Prata, convidando-o para uma palestra, e receber um não porque ele até hoje não terminou o livro da coleção Amores Expressos e precisa se dedicar a dois projetos.

8) Passar boa parte do domingo editando um vídeo de divulgação da mesma festa Boa Noite! e ele não ficar como você queria.

9) Trocar uns dez e-mails por dia sobre o assunto, imagina quando chegar mais perto do evento.

10) Delegar tarefas, a pior parte. Dá vontade de fazer tudo sozinha, mas né?!

28.4.11

US$20

Corre do estágio pra ler um texto antes da aula de 18h30. Biblioteca universitária. Barulho razoável, deu pra me concentrar. Chega uma guria de branco na mesa ao lado, só podia ser da área da saúde. Não para de falar. Perco minha concentração. Ganho sono. Cochilo. Vou para um sofá para tentar ler lá. Necas, dormi mais. Saio da biblioteca. Sento num banco mais ou menos tranquilo, passa gente na minha frente o tempo inteiro. Sentado do outro lado do caminho, noutro banco, um senhor que faz um barulho diferente na respiração de quando em quando. Ali perto, uma mesinha de pedra, daquelas com tabuleiro desenhado. A guria sentada nela arruma as coisas, vai embora. Corri pra lá, tão mais tranquilo! Começa a escurecer. Começo a pensar que o chão dali é grama. Todos sabemos como a grama da UFSC não é confiável. O pé começa a coçar. Provavelmente de paranoia, ainda não tinha sido mordida por nenhum bicho. Sou obrigada a ler com as pernas para cima, apoiadas no banquinho ao lado. Completamente desconfortável, pernas formigando periodicamente e, ainda assim, concentrada. Fábula das três raças, racismo no Brasil e nos Estados Unidos. É, estou gostando daquela disciplina de Antropologia Social. Terminei o texto a tempo, só lamentei não ter nem 20 dólares e nem uma árvore mega confortável para dar uma de Rory e conseguir um lugar bom de estudo. Até porque, imagina que alvo fácil para formigas e borrachudos eu seria na grama, embaixo de vários galhos?!

29.3.11

Vôterana

Chega aquele momento super empolgante que falo sobre o início do semestre e as disciplinas novas, deixando de fora a parte super chata que são os novos calouros e festas universitárias de quarta a domingo. É, gente, quinto semestre, meus calouros têm calouros, sou vó e faltam dois anos de graduação! Deveria fazer cinco matérias obrigatórias, mas estou só com duas. Uma foi adiantada ano passado e resolvi atrasar as outras duas porque andava meio desestimulada com o curso. Esses professores eram ruins e minha situação só ia piorar. E assim também pude me encher de disciplinas optativas.

Teoria da comunicação II (opt)
Me despedi do ano passado falando que "Adorno nunca mais", mas me matriculei nessa matéria, que é continuação daquela que me fez ler esse alemão querido. Tudo isso porque o professor é realmente bom e não podia perder de ganhar o conhecimento que ele tem pra passar pra gente. Vamos estudar uns textos aleatórios tipo Freud, Lévy, Bordieu, entre outros. Começamos falando sobre moderninade e pós-modernidade, a aula de ontem foi sobre interpretações do livro Fausto, de Goethe. Muito amor.

Teoria do jornalismo (obg)
O professor dá uma aula meio monótona, mas o assunto é interessante. Melhor que estudar as teorias da comunicação, que é um tema muito amplo, é estudar o que está mais próximo da gente. As aulas tendem a melhorar porque ainda estamos naquela velha introdução sobre jornalismo (calouros feelings).

Antropologia social I (opt)
Roubada do curso de Serviço Social, é ministrada por uma argentina engraçada que fala portunhol. Essa disciplina é muito "aprenda o que é antropologia", com uma carga leve de leitura e discussões interessantes sobre cultura, preconceito e racismo. Ah, minha vontade de ciências sociais...

Jornalismo econômico (opt)
Quem dá essa aula é um professor visitante da UnB super legal que propõe discussões pertinentes e sugere textos ótimos. Sempre tive vontade de conhecer essa área e não vejo a hora de me familiarizar com conceitos básicos de economia e entender mais um pouco sobre.

Redação V (obg)
Provavelmente vai ser uma das redações mais divertidas do curso, vamos deixar a notícia clássica de lado e enveredar pra reportagens mais elaboradas, perfis, crônicas (quem sabe) e produzir uma revista-laboratório no final do semestre com nossos textos e diagramação (oba!). O que me amedronta é parte da avaliação: conseguir uma nota exclusiva! Onde, josé?!

Telejornalismo II (opt)
Professor novo no curso, louco e carioca, tem experiência como correspondente internacional... Meio pirado, faz umas piadas idiotas, fala e se repete pelos cotovelos, mas na parte prática da aula sempre dá um jeito de não nos deixar desistir da disciplina (eu e minha amiga pensamos isso toda quinta-feira). Aula intimista só com seis pessoas (que nem a de teoria da comunicação, na verdade).

24.11.10

Atrás de uma grade, no berçário

Bastidores sobre minha reportagem que fala de gravidez no presídio, num relato mais objetivo, para o blog do Quatro, jornal-laboratório produzido em Redação IV:

"Apesar de todas as piadinhas feitas pelos colegas, pelo professor e até pelas agentes prisionais para cuidarmos de não ficarmos presas e ficarmos o final de semana com as detentas, passar aquela tarde com aquelas mães foi no mínimo curioso. Não sei se dá para falar de uma situação agradável num presídio. No final, parecíamos todas amigas conversando sobre vários assuntos ao mesmo tempo (difícil era anotar as informações importantes que apareciam). Até a agente prisional, que entrava no berçário para ver como estava a conversa e depois saía para 'deixar as presas falarem o que queriam'." Continue lendo.

Os outros bastidores também estão ótimos, leiam >> Blog do 4.

15.11.10

Frisbee em novembro

Minha amiga galêga e eu estávamos atravessando apressadas o campus da UFSC no final de tarde ensolarado de quarta-feira para pegarmos a gráfica ainda aberta e imprimirmos nossos jornais-murais. Todo aquele bom humor de quem havia passado a tarde inteira revisando o trabalho e terminando os últimos detalhes para descobrirmos vários errinhos na primeira impressão.

Acontece é que no gramado ao lado do Templo Ecumênico, perto das duas únicas araucárias da universidade, tinha um pessoal jogando frisbee. Frisbee. No Brasil. Numa quarta-feira. Num novembro. Num final de semestre.

Eles tinham cara de engenheiros. Só podiam ser engenheiros. Raça que fica de bobeira na fila do RU assando linguiças para fazer propaganda da festa Linguição da Automação e ainda tem a coragem de falar que estudantes de jornalismo não fazem nada (um aspira a engenheiro mecânico me disse isso na balada, teria pisado nele com salto se não tivesse deixado a sandália que queria usar naquele dia em São Luís).

E agora que o download do filme The virgin suicides completou, sabe o que eu vou fazer? Terminar minha parte da monografia em grupo sobre democratização da comunicação. Daniel Hertz, um dos fundadores do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e também do curso de Jornalismo da UFSC (ele é muito onipresente), mandou um beijo!

10.11.10

O Parcial

Eis que eu começo a ver a luz no final do semestre, talvez até tenha férias algum dia. Terminei hoje - e já imprimi, afinal, é pra amanhã - o meu jornal-mural, trabalho final para a disciplina Edição. É para o mesmo professor que pediu a revista que eu diagramei semestre passado.

Temos que fazer esse jornal-mural, de duas folhas A3, sobre um livro. Escolhi o meu antes mesmo dele passar a lista - a maioria de jornalismo investigativo - porque não ia perder a oportunidade de finalmente ler Honoráveis bandidos e fazer algumas matérias sobre minha terra onde cantam os sabiás. Planejava fazer uma página a mais para fazer as pautas que o professor queria e as que eu não poderia deixar de lado. Acabei procrastinando e cortei um monte de coisa, inclusive deixei de usar algumas entrevistas e saiu isso!


A matéria principal é obrigatoriamente a resenha do livro escolhido e as outras funcionam como correlatas. Falei sobre as eleições para governador do Maranhão esse ano, um exemplo de como é a política no interior do estado (São Domingos do Azeitão, where?), a ação de Fernando Sarney que estabelece a censura no Estadão (há 467 dias), a entrevista com Palmério Dória (impossível editar e ainda ficou gigante!) e um panorama da mídia maranhense.

O logo foi a primeira ideia que eu tive em todo o jornal-mural. Achei meio absurda, mas amigos me convenceram a seguir com ela. O que salvou meu projeto gráfico foi a forma do Congresso Nacional para me livrar logo dos dois box obrigatórios que deveríamos usar.

O nome faz uma brincadeira com o nome de um dos jornais de São Luís (O Imparcial, que nem é da família Sarney, mas tudo bem). Sem contar que o Palmério sempre fala em entrevistas, menos na que fiz com ele, que ele queria abrir um jornal O Parcial para poder dar seu ponto de vista livremente. Além disso, a parcialidade brinca muito com o fato do livro contar falcatruas de todo o Brasil e 99,9% das minhas pautas serem sobre o Maranhão, mas eu tinha que puxar sardinha.

Fico triste porque não consegui entrevista com um Sarney - meus contatos são fracos -, mas entrevistei Flávio Dino, segundo colocado na disputa para governador do Maranhão com quase 30% dos votos. Falei com o deputado federal por intermédio da madrinha da minha irmã, nada mais maranhense!

p.s.: Acha que acabou? Agora só tenho que diagramar o jornal-laboratório Quatro, feito por toda a turma, uma reportagem infográfica, uma monografia em grupo e um site, que otimista!

6.11.10

Like a riot

Ana Cristina tem 20 anos. Sobrancelha bem feita e unhas cor-de-rosa. Grávida de quatro meses de um menino e presa há quase o mesmo tempo. Tráfico de drogas. O marido continua com ela. Não se falam pelo telefone, mas toda quinta ele vai ao Presídio Feminino de Florianópolis visitá-la. Ai dele se faltar uma visita. Ele troca o turno da manhã pelo da tarde de 15 em 15 dias quando o casal têm direito à visita íntima. Ana Cristina prefere não pensar no que o marido faz no mundo. Ele não vai à praia, fica em casa vendo novela. No fundo, sabe que ele não é assim comportado, mas ignora.

20 anos. Mais nova que algumas amigas minhas, que a minha própria irmã. E tá lá, grávida e presa, falando com maturidade sobre relacionamentos. E tem gente aqui fora, um ano mais nova, sem nunca ter engravidado (ainda bem) e que não sabe o que fazer com um relacionamento de 1 ano e 2 meses.

Visitei o presídio feminino para uma reportagem do jornal-laboratório Quatro, projeto final da disciplina de Redação IV. O tema do jornal é "sexo" (odiei a "palavra-chave", porque a maioria das pautas são chatas e clichês) e minha matéria ficou sobre mães e grávidas no presídio. Depois de uma semana negociando pelo telefone com a chefe de segurança, ofícios e tudo mais, eu e a fotógrafa entramos lá e entrevistamos as 2 mães e três grávidas. Foram umas duas horas de conversa, elas perderam a timidez (eu também) e no final já estavam posando para as fotos. Foda foi que não me deixaram entrar com gravador (não pergunte, já que conseguimos entrar com câmera) e vai ser difícil fazer essa matéria de uns 6 mil caracteres só com minhas anotações e a memória "ajudando".

Para ouvir: Lisztomania - Phoenix.

31.10.10

O mito da oficina de texto

Tudo o que eu não queria era entitular um post com "mito" depois de passar umas três noites dessa semana com um texto sobre mitologia do Roland Barthes pra teoria da comunicação. Ok...
Quando você entra na faculdade de jornalismo e percebe que existe uma disciplina de redação para cada semestre, você acha que vai aprender a escrever direito. O professor do primeiro semestre tinha acabado de voltar do doutorado e se espantou como os alunos estavam mais burros (a metáfora das orelhas é famosa: somos tão burros que as orelhas arrastam no chão) e acabou pegando leve com a gente. O segundo só queria saber de um jornalzinho-laboratório. Foi aí que comecei a aprender a diagramar. O terceiro ficava falando sobre como brasileiro não lê manual de instrução (mas eu - na verdade, ele falava em terceira pessoa -, eu leio, tchê). O atual era a nossa promessa e última chance de aprender pelo menos o básico já que a partir da quinta fase a gente já começa a ver jornalismo pra revista e nada. O semestre passou voando e já estamos planejando o jornal-laboratório Quatro.

Por esses dias caiu a imagem que eu tinha da faculdade como oficina de texto. A utopia de escrever vários notícias por semana e lapidar a escrita é só utopia mesmo. Já entendi que vou sempre aprender como melhorar meu texto, mas rola aquele medo de achar que estou fazendo tudo muito errado. Anyway, continuo tentando.

2.10.10

Ping-pong

Escolhi o livro para o meu jornal-mural (trabalho para a disciplina de Edição) ainda no semestre passado. E como Palmério Dória, autor de Honoráveis Bandidos, foi convidado para a Semana do Jornalismo fiquei ainda mais empolgada porque poderia entrevistá-lo pessoalmente. Entrei em contato com Palmério previamente por e-mail e marcamos nossa entrevista para a quinta (16) no caminho para o aeroporto.

Conheci o jornalista e escritor antes da palestra dele começar na quarta à noite. A baby-sitter (chamamos assim quem acompanha os convidados da Semana) nos apresentou e conversamos um pouco. Quase explodi de timidez. A palestra foi boa, mas nem tanto porque ele repete em todo lugar coisas do tipo "todo jornalismo é jornalismo investigativo", as vezes que ele viu Sarney na vida, sobre a candidatura que virou picolé - quando Roseana foi candidata a presidente.

No dia seguinte, acordei cedo e me meti no carro de quem o levaria para o aeroporto. Fomos conversando sobre assuntos banais até que, ops, a entrevista começou sem eu perceber, liguei o gravador e fiz mais umas tantas perguntas. Só não fiquei tão nervosa na hora porque já tinha falado com ele outras vezes e porque ele é simpáticos demais, demais.

Gostei de duas perguntas que fiz a ele. Uma foi ainda na palestra. "Na hora de reclamar do Sarney, você fala  mal de São Luís, do Vale Festejar, do estado inteiro... O que tem de bom no Maranhão?". O auditório inteiro riu porque, por mais que a pergunta nem fosse assinada, não havia dúvidas de quem tinha feito. E obviamente ele falou dos lençóis maranhenses e do povo. E no carro, na minha entrevista, ele falava sobre a velha história de Sarney ter "expulsado" os maranhenses do estado pela vida precária e falta de oportunidade. Rebati: "E eu, sou vítima do Sarney?". Essa resposta você pode escutar:

Isso tudo porque o Palmério me segue e aparentemente leu alguns tweets meus. No livro, ele escreve "O Maranhão se tornou o maior exportador de gente do país. Você encontraria maranhenses nos lugares mais improváveis... até em Florianópolis - que jamais havia visto um maranhense ao vivo, salvo turista". Eu completei: vai dizer que Honoráveis Bandidos não foi escrito pra mim?

Só hoje eu consegui transcrever a entrevista completa. O trabalho é pro começo de novembro, medo!

27.9.10

Quero ser frila

A foto do prof. Pimentel no currículo lattes já assusta. Atrás do rosto dele, podemos ler "Mercosul" e, descendo um pouco mais a página, descrubro que ele é um árbitro do Tribunal arbitral ad Hoc, seja lá o que isso signifique. Ele trabalha num escritório em casa, único cômodo do segundo andar. Obviamente planejado, é branquinho, com as paredes preenchidas com todo tipo de livro, janelas largas e um aparelho de som potente como nunca vi antes. O que ele escuta? Consigo imaginar o professor quebrando aquele silêncio dos passarinhos com música clássica, mas nem sei. E o silêncio é um dos motivos que ele prefere trabalhar em casa. Ele também foge daquelas salas apertadas da UFSC todas trabalhadas em divisórias de compensado.

Don Quixote de Pablo Picasso
E olha que reclamei um monte de ter que sair da universidade e andar até onde ele mora, ou seja, quase ao lado da minha casa. Pior foi que cheguei ao mesmo tempo de uma provável aluna dele de pós-doutorado, mas o tempo em que eles conversavam serviu para eu perder o nervoso que sempre me ataca e reconhecer o local. O único livro da estante que reconheci era O povo brasileiro.

A entrevista foi ótima, o cara é super inteligente e não fala do mesmo jeito que os formados em direito geralmente falam. No final, ele fez questão de mostrar o andar de uma das estantes apenas com livros escritos por ele. Perguntou se eu conhecia alguns professores do Jor, entre eles minha chefa (orientadora de um tcc avaliado por ele). Desceu as escadas comigo e ainda contou a história do Don Quixote que tem na parede.

Home offices para se inspirar


Queria Lucky embolado nessa cesta pra cachorro

Queria ser designer / ilustradora / talentosa, mas né

Para os casais que não se desgrudam

Quem se estressaria num lugar desses?

Colocaria alguma cor aí, mas esse janelão me conquista

26.9.10

What's happening?

Na falta de um twitteiro oficial, assumi o arroba @semanadojor para fazer a cobertura das mesas de discussão e palestras. E eu me perguntava: quem não ia até o auditório ou não assistia à transmissão online queria mesmo saber o que eu twittava?

Mas relatei às respostas dinâmicas e objetivas da ombudsman da Folha, o discurso mais ou menos ensaiado do Palmério Dória e as opiniões dos convidados da mesa de discussão que mais gostei, sobre jornalismo popular. Teve um dia que recebi elogios (sem tais pessoas saberem que era eu por trás do arroba) pela objetividade e informação, mas logo no outro dia fui criticada pela repetição de palavras. Hum. Só ficava pensando que deveríamos aprender a twittar em alguma aula. Daí na aula seguinte de redação IV, o professor passou um exercício para reduzirmos notícias em 110 caracteres e eu... faltei.

Suzana Singer, ombudsman da Folha
 

Palmério Dória, o papai noel
 


Mesa de discussão sobre jornalismo popular


 Mesa de discussão sobre jornalismo segmentado

E fica a discussão: quando devemos fazer essa cobertura pelo twitter? A Semana tem gente que acompanha pelo microblog porque às vezes até é aluno do curso, mas tem que trabalhar, por exemplo. Mas e as coberturas de eventos pelos veículos de comunicação, como ficam? Agora acontece o penúltimo debate entre os presidenciáveis e eu gosto de acompanhar os tweets do Noblat, por exemplo, com a opinião dele. Se ainda tivesse sem tevê, a cobertura objetiva do Congresso em Foco também seria útil. Não sei. Uma vez a minha chefa e professora comentou sobre a possibilidade de se criar uma conta para cada cobertura. Realmente nem sei o que pensar, ainda mais agora que o Manuel Castells (grande teórico de jornalismo online que eu deveria ler) tá dando uma de Lula e falando que o twitter é uma marola.

! Luisa adverte: sim, isso foi uma tentativa de lutar contra a instantaneidade do twitter e guardar algumas lembranças dessas coberturas.

22.9.10

E Nina Lemos me odeia


Xico Sá veio aqui em Florianópolis, deu uma volta na lagoa, a 9ª Semana do Jornalismo acabou, ele voou de volta para São Paulo e eu nem vim postar nada. Foi uma semana inteira de correria, resolvendo questões do evento, e alguns professores ainda queriam dar aula e cobrar exercícios. Resultado: falei às aulas e entreguei com mais de 24h de atraso o meu texto sobre a mesa de discussão de sexta-feira (sobre jornalismo segmentado). Acabei desestimulada com a vida porque o professor não aceitou o texto fora do prazo. Acontece.

A Semana começou com a loucura que é o credenciamento para os minicursos (na hora, muitas muitas vagas sobraram. Se eu pudesse, teria participado de todos, mas não tive tempo nem de fazer o que eu queria: Produção de perfis) e com nosso saldo mais que negativo. Muitos convidados quiseram mudar o horário de voo e estávamos devendo quem nos emprestou dinheiro. Já conseguíamos enxergar a falência quando lucramos muito com um Happy Hour pós-lançamento do documentário Impasse, sobre as manifestações contra o aumento da tarifa do ônibus, e na festa de encerramento no 1007 Boite Chik que acabou bombando. Quem sabe até perdemos a fama de curso com festas ruins. Quanto aos minicursos, acabaram bem na quinta-feira, mas ainda não sei como os participantes vão receber os certificados. Vamos ver se alguém resolve esse pepino.

25.8.10

Semana do Jornalismo



Gostei dessa reportagem exibida no último Fantástico sobre as queimadas no país e, principalmente, a da Ilha do Bananal - TO. A sequência de imagens te prende e você fica péssima com toda aquela vegetação sendo destruída junto com a repórter Sônia Bridi. Na verdade, melhor ainda foi ouvir da boca pra própria Sônia todo o esforço da Rede Globo para conseguir acesso à ilha fluvial - o Ibama não queria colaborar - e ainda os bastidores da viagem de helicóptero, balsa, carro velho que a equipe de reportagem teve que fazer às pressas pra conseguir fazer a cobertura.

Sônia Bridi é repórter especial da Globo, já foi correspondente em Paris, Nova Iorque e China e é formada em Jornalismo pela UFSC. A repórter veio à Florianópolis essa segunda-feira (23 de agosto) para dar uma palestra no lançamento da Semana Revista, produzida, escrita, diagramada e editada pelos alunos do curso. A publicação tem o objetivo de divulgar a Semana do Jornalismo, também organizada pelos estudantes. A nona edição acontece de 13 a 17 de setembro e adivinhem quem quem está no meio disso. Na revista, escrevi uma matéria sobre machismo nas revistas femininas e estou fazendo os contatos para os minicursos que são oferecidos durante o evento. Consegui hoje fechar a lista das oficinas e são as seguintes: Jornalismo de Humor, Jornalismo Investigativo, Produção de Perfis, Fotorreportagem, Rádiodocumentário, Videoclipe, Jornalismo de Moda e (Adobe) Premiere Avançado.

A Semana já recebeu o pessoal do CQC e o do Profissão Repórter. Esse ano, vão vir Xico Sá, Eliane Brum, Palmério Dória e muitos outros jornalistas bacanudos. Esperem só!

Começa o semestre

Título com três semanas de atraso, mas a minha desculpa da vez é que a minha internet provisória é a cabo e eu não me sinto inspirada pra vir aqui sem wireless, aham.

Meu quarto período na faculdade começou dia 9 de agosto e até parece que estou começando o curso agora. Não só porque minha empolgação com a futura profissão está bem maior, mas porque as disciplinas que estou cursando parecem que vão me ensinar alguma coisa nessa vida. São as seguintes (pela ordem de aulas na semana):

Webdesign aplicado ao jornalismo
É triste começar a semana e essa lista com a única disciplina ruim do semestre. O professor não é lá dos mais entendidos no assunto e as aulas... Nas duas primeiras lemos textos minúsculos e fingimos que fizemos seminários. Na dessa segunda, ele queria brincar com a gente no photoshop. Mais triste ainda é ver a minha oportunidade de aprender alguma coisa sobre html descendo os morros dessa cidade.

Infografia
É a única optativa (alguns chamam de eletiva) que estou fazendo. A professora é muito boa (ok, admito que ela é a minha chefa) e as aulas estão ótimas até agora. Vai ser bem naquele esquema de teoria + prática ao longo do semestre. Estou bem empolgada e agorinha mesmo paguei 12 reais na xérox de um livro da disciplina. É...

Redação IV
Primeira aula de verdade para me ensinar a escrever. Além de discussões sobre o texto jornalístico, temos bastante prática e no final do semestre vamos produzir um jornal laboratório inteiro em apenas 1 semana. Espero que meu texto evolua bastante, porque ainda acho que texto bom ainda está bem longe do meu alcance. É a disciplina que mais me empolga porque, né, quero aprender a escrever!

Edição
Com aquele mesmo professor de Planejamento Gráfico, a disciplina da revista que eu diagramei semestre passado. É no mesmo esquema de aulas teóricas chatas, exercícios práticos necessários e que geram muito aprendizado e um trabalho final interessante. Nessa matéria, vamos produzir um jornal-mural de duas folhas A3 sobre um determinado livro. Já escolhi o meu e é Honoráveis Bandidos do Palmério Dória.

Teoria da comunicação
Finalmente vou voltar a pensar na vida. A disciplina promete porque o professor e o método dele são muito bons, acho que vou aprender bastante. Apesar de ter que fichar um ou dois textos difíceis por semana...

Políticas de comunicação
É uma disciplina obrigatória da quinta fase que estou adiantando e o professor é o mesmo de Teoria. Digamos que na primeira semana o professor estava viajando e na segunda, eu faltei. Ops.

26.7.10

Federal ou particular?

Nesse final de semana estava no novo shopping de São Luís (informação para mostrar que a cidade agora tem mais de um shopping decente) e mamãe encontrou um coleguinha que brincava com minha irmã quando ela tinha um ano. Ou seja, eu nem tinha nascido.

Depois de dizermos que não lembrávamos um do outro, falamos, é claro, de faculdade. A mãe do tal Alexandre se apressou a dizer que ele já está no oitavo período de Direito e mamãe conseguiu enfiar na conversa que eu nem morava mais aqui. Fiquei até brincando com ela depois que pais só criam os filhos para exibir nessas conversas de corredor. Acabei cometendo uma pequena gafe perguntando se ele era da federal, enquanto estuda numa particular. Só fico me perguntando de como vai ser, no futuro, a relação formados na federal/formados na particular. Porque o boom de vagas e cursos nas particulares é recente (aqui em São Luís) e pelo menos acho que até agora não formou tanta gente assim. Será que vão influenciar nas relações de trabalho ou na escolha de currículos por muito tempo ainda?

Será que com as cotas que, na federal aqui, reservam 50% das vagas para negros e estudantes que se formaram em escolas públicas não está mais do que na hora das faculdades particulares lutarem por uma fama decente? São Luís já está grandinha, né.

5.7.10

Não sou argentino, mas odeio futebol

Preciso contar que queria seguir alguém desde que era uma caloura perdida e nem sabia o que estava fazendo no primeiro semestre da faculdade de jornalismo. Uma veterana comentou sobre o exercício e fiquei com muita vontade de achar alguém interessante na rua e escrever a partir dessa experiência.

Saí meio atrasada de casa porque ninguém consegue acordar cedo num sábado sem compromissos. No ponto de ônibus, percebi que chegaria ao centro da cidade pra lá de meio-dia e fiquei ansiosa, com medo de já encontrar o centro se esvaziando. Chegou o ônibus, a beira-mar parecia não acabar nunca, mas eu já ia reparando nas pessoas pra me acostumar a observar cada detalhe. Acho que eu queria ver se conseguia me concentrar numa pessoa sem ela estar conversando comigo em vez de me render aos pensamentos que me lembravam do namorado, da minha cidade ou do tanto de coisa que eu sempre tenho que ler.

Como vou saber que devo seguir alguém?, foi o que pensei quando cheguei ao meu destino. Felipe Schmidt, Conselheiro Mafra, nem sei se já decorei os nomes dessas ruas de comércio, mas percebi que andando por ali só encontraria pessoas fazendo compras. Não queria isso. Me distanciei e foi pro lado do Mercado Público que me frustrei pela primeira vez. Perdi um casal de velhinhos. Eu que tenho 18 anos e que usava meus óculos justamente pra conseguir enxergar tudo, perdi de vista um casal de velhinhos que andavam a passos bem miúdos e de braços dados. Depois, deixei de seguir um anão, acompanhei por uns dez minutos um guri de uns 13 anos carregando uma bolsa pesada, comprando um lanche e indo pra loja da família, segui um gordinho com um exercício de matemática na mão que foi direto pro Ticen e, por fim, segui uma garota apressada que se enfiou por ruas do Centro que eu nem imaginava que existiam. Ela me chamou atenção porque deu um sorrisinho rápido pro Museu Histórico. Andava bem rápido e mostrava confiança nos passos, parecia fazer aquele caminho muitas vezes. Logo tirou o moletom porque o sol quente não parecia um sol de junho e tentou prender os cabelos, mas o coque se desfez depressa e a jovem deixou os cabelos castanhos e um tanto ondulados caírem no meio das costas, se balançando com os movimentos que ela fazia. Praticamente corri atrás daquela garota, que apenas me levou até a casa dela. Tirou as chaves da bolsa preta que carregava, abriu o portão de ferro e sumiu atrás da porta de vidro que dava para o hall do prédio. Se havia alguém me seguindo, dei o mesmo final pra crônica alheia. Sumi por trás da porta de vidro, subi um lance de escada e voltei pra casa.

Sem achar tempo livre pra me dedicar a observar a multidão e achar meu personagem, ele acabou vindo até mim. Era o último jogo do Brasil nessa copa – mas eu ainda não sabia disso, é claro – e eu assistia ao fracasso de Dunga num bar da Trindade com os amigos da faculdade. Chegamos em cima da hora, como sempre, e ficamos numa mesa péssima. Eu tinha que ver a TV de ladinho e toda hora alguém ficava na nossa frente. Primeiro tempo, estávamos mais confiantes que o vestibulando que não estudou a vida inteira, mas se inscreveu pra biblioteconomia. Nem ele e nem a gente sabia que seria capaz de tirar uma nota tão baixa na redação. Intervalo. O bar inteiro fez a felicidade do dono do estabelecimento ao se empanturrar no bufê do almoço. A partida estava quase recomeçando quando um garçom me deixou morrendo de raiva por tirar minha bolsa e moletom de uma cadeira vazia pra levá-la a uma mesa que ele inventou de colocar bem na minha frente. Xinguei mentalmente aquele cara que podia ao menos ter pedido um “com licença”, mas relevei. Sempre relevo.

Um casal simpático sentou naquela mesa maldita, mas não demoraram nada. Foram só pra almoçar mesmo. Jogo vai, jabulani vem e chegou outro cara pra sentar à mesa em frente a nossa. Chegou todo educado com seu cabelo de cuia partido ao meio e perguntou se poderia sentar ali. Tudo bem, fazer o que, sorrimos amarelo. Ele escolheu o lugar de costas para a TV e matou o que o estava matando.

Hmmm, onde almoçar hoje? Que merda, jogo da seleção, não vou encontrar um lugar nessa cidade sem vuzuzelas e sem torcedores insuportáveis. Ok, ok, Frango e Fritas mesmo que já estou aqui perto. Sem nem lugar pra estacionar minha moto direito, imagino como vai estar lá dentro. Ufa, me deixaram entrar. A comida parece boa. Pelo menos com esses jogos fazem uns pratos diferentes. Tá, onde vou sentar? Fico com o primeiro lugar vago que achar, não importa onde. Opa, uma mesa pequena, nem quero olhar a TV, é aqui mesmo. Frango, frango, frango, arroz, ostra gratinada. GOL, GOL, GOL, GOL, o bar não para de gritar isso. A bola deve estar no meio de campo ainda e esses empolgados tão aí gritando como se a vida dependesse disso. Respira fundo, cara. Você não precisa mostrar que odeia tudo isso. Vive o teu dia e deu. Eu consigo entrar em alfa, esquecer o mundo à minha volta, fazer tudo isso muito rápido pra não me atrasar no almoço e vou levantar pra pegar a sobremesa grátis sem nem dar uma olhadinha nessa TV maldita. É assim que se cala o Galvão, ouvindo a mim mesmo quando esse chato fica gritando na Globo. Adoro essa sobremesa de morango. É daquelas de caixinha tipo gelatina, eu fazia muito antes de morar sozinho. Ih, os caras da mesa pararam de falar quando eu cheguei perto. Cara, esquece essa mania de perseguição, estão prestando atenção nesse bando de jogador de camisa amarela. Ah, não, merda, esses caras invocaram com as vuvuzelas agora. Até o morango perde o gosto. Tchau, sobremesa.

Não foram nem 15 minutos que o homem com cara de bonzinho, mas com um péssimo gosto pra penteado, ficou na mesa que chamei de maldita ainda agora. 15 minutos que nos fizeram comentar sobre ele na hora que ele foi buscar a sobremesa e depois de ir embora. Realmente tão rápido que ele saiu antes mesmo dos gols da Holanda e de ficarmos mais inseguros que vestibulandos de medicina em dia de divulgação de resultado.

E, sabe, é mais fácil achar que ele realmente odeia futebol e a copa do mundo com todas as forças do que ignorar tudo isso. Nenhum brasileiro ignora futebol. E eu, como toda boa mulher, acha pior ignorar que odiar. Ainda cogitei a possibilidade do meu personagem ser argentino. Mas, se fosse, teria dado uma olhadinha só pra praguear a seleção brasileira. Não que precisássemos, né.

p.s.: Não queria fazer um texto onde aparecesse o exercício de seguir alguém, mas foi o que saiu. E acabei me empolgando, escrevi demais.