31.12.10

Que seja leve

and make me smile
Esse ano vou quebrar minhas regras, não quero metas, não quero promessas, não quero fazer uma lista idealista jurando que vou cumprir todos os ítens até o próximo dezembro. Sei bem o que preciso fazer para ter um ano bom e produtivo e só quero me comprometer a não procrastinar - fora do nível saudável. Abri meus olhos para isso ao ler esse post sobre viver sem pendências. Não quero deixar nada pra depois, nem trabalhos da faculdade, nem a carteira de motorista, nem contas a pagar, nem e-mails. Só faço questão de um ano tranquilo, resolvendo meus compromissos assim que aparecerem. Que seja leve. E, de preferência, com meu primeiro carnaval de verdade, meu primeiro show internacional, minha primeira Oktober, muita leitura e sorrisos lindos.

30.12.10

Adorno nunca mais

Meu lado nerd fica contente de dizer que sim, eu fui uma aluna aplicada esse ano. Apesar de toda a procrastinação e os feriados me lamentando porque estava sozinha em Florianópolis, consegui cumprir todos meus compromissos com a faculdade, descobri que adoro diagramar, fiz uma revista que me dá orgulho, amadureci como estudante de jornalismo, mas ainda tenho tanto pra aprender. Assim que é bom, né? De quebra ainda voltei a estudar inglês, tava precisando. Também li mais, principalmente no primeiro semestre, e até parei de chegar atrasada em tantas aulas. Não fiz dança de salão, desisti logo no começo do ano, não consegui parar de tomar refrigerante, eu juro que tentei. Não conheci Floripa como eu queria, mas foi consequência de ter ficado trancada em casa escrevendo 19 páginas sobre democratização da comunicação ou lendo Adorno, Benjamin, Foucault... Mantive sim mais contato com a família, mas quanto a amigos, me parece que não tenho mais uma vida aqui em São Luís. Por fim, considerando que me matriculei na autoescola essa semana, dei o primeiro passo para aprender a dirigir e tirar minha carteira de motorista. As metas completas que fiz no início desse ano você encontra aqui.

Foi bom perceber que até cumpri o que tinha previsto pra 2010, é bom esquecer um pouco das partes ruins desses últimos meses. E, caramba, eu conheci Miami, Nova Iorque, voltei à Jamaica e agora conheci São Paulo num momento completamente Sheep na cidade grande. Andei de metrô e ônibus sozinha em Sampa, não sei como, já que em NYC só me virei com a ajuda da irmã mais velha. Arranjei meu primeiro estágio, que não foi uma grande oportunidade, mas a experiência tá valendo alguma coisa. Tive um professor maravilhoso daqueles que inspiram um mundo acadêmico. E agora moro com pessoas legais, são meus amigos. Na verdade, o ano começou muito, muito bem. Parei e pensei que era a vida que eu queria, só tinha gente que eu gostava ao meu redor. Daí tudo desabou e desabou e desabou. Só foi começar a melhorar no último segundo. 2010 foi um ano pesado.

29 de dezembro

Hoje tinha tudo pra ser um dia especial. Mas o que aconteceu foi que eu quase me decidi a mudar de vez o nome pra Luiza com zê mesmo porque sinceramente não aguento mais que errem a grafia. Fui cadastrada errada no sistema do Detran, atrasando a foto e os exames médicos, apesar de já estar assistindo às aulas teóricas torturantes. Já odeio aquele instrutor mais a que todos os professores que já odiei na vida, inclusive aquele que não me inscreveu no Enem ou o professor da revista e do jornal-mural na faculdade.

Aproveito para registrar meu novo mantra: ‎"Recentemente, o homem descobriu que a Terra é um grande ecossistema, e que aterações ambientais produzidas em um local, podem afetar todo o Planeta." Tirado da minha apostila genial da autoescola. E, honestamente, fico feliz de meu dia ter se resumido a isso hoje.

27.12.10

They are just kids

O melhor jeito de ganhar livros é quando você sabe que a pessoa entrou na livraria sem nenhum título em mente e foi passeando pelas estantes, lendo orelhas, contracapas ou páginas aleatórias até que encontrasse o certo. Uma história contada por uma poeta, cantora, artista de mil faces e até jornalista sobre a relação que teve com um fotógrafo homessexual. Ela, Patti Smith. Ele, Robert Mapplethorpe. O cenário? Nova Iorque no final dos anos 60 e início dos 70.

A leitura foi quase um lembrete da minha irmã "Não esqueça que você quer morar lá um dia!" junto com as lembrancinhas nova-iorquinas que mamãe trouxe - a mudança dela chegou lá por setembro, mas tinha que vir à São Luís receber minhas coisas.

Tanto Patti quanto Robert foram bem loucos para NYC porque queriam ser artistas. Patti vinha de uma família pobre, passou um tempo dormindo na rua e tentando arranjar algum emprego. Robert era de uma família católica bem estabelecida e foi pra lá estudar design gráfico numa boa faculdade, mas abandonou porque queria ser pintor e ponto. Assim que se conheceram, trataram de morar juntos e a longa relação deles começou. Uma relação que não pode ser simplificada como meramente romântica. Li numa crítica da Folha que nesse livro Patti declarava seu amor por Robert, isso é um absurdo. Eles se complementavam muito mais como artistas e como pessoas do que tinham essa relação amorosa forte.

Realmente nunca tinha ouvido falar de nenhum dos dois antes de ler Só garotos. Vai dizer que a tradução de Just kids não ficou pobre? Pois é, Robert Mapplethorpe foi um fotógrafo de tema homossexual e erótico, sem querer chocar o público, apenas queria transformar aquilo em arte. Gostei que ele começou com uma polaroid e se manteve nas instantâneas porque não tinha paciência pro processo de revelação. Patti Smith foi reconhecida pelas poesias, mas deu certo mesmo como cantora. Ela é uma mulher inteligente, viciada em Rimbaud, fixada em Brian Jones, que tinha certa atração por Jim Morrison do The Doors e que valorizava demais o trabalho de Robert.

O livro acaba por retratar uma época quando uma passagem de metrô em NYC custava apenas vinte centavos e que a luta em ser reconhecido como artista era muito forte. Ainda mostra personagens como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Salvador Dalí (que falou à Patti que ela parecia um corvo gótico, no hall do Hotel  Chelsea) e Andy Warhol.


Só garotos chama atenção por três aspectos: a riqueza da narrativa de Patti, mostrando cada detalhe, explicando como cada acontecimento tinha levado a outro na vida dos dois, contando histórias por trás das músicas e poemas que ela escreveu, das fotos que Robert tirou. As fotos belíssimas que estão ali no meio das páginas, às vezes ocupando uma página inteira com legenda e um espaço grande em branco, outras no meio do texto, sem explicação alguma. Isso mostra como imagens podem deixar um livro mais gracioso mesmo que ele não seja ilustrado propriamente dito. A diagramação fica muito melhor assim, ainda mais num livro de memórias. Em várias biografias, o que a gente vê são páginas num papel melhor com fotos de festa, sem graça, todas reunidas. A minha preferida foi essa da pena, acho que tirada pela irmã de Patti, Linda, numa viagem que fizeram à Paris. Por último, Só garotos impressiona pelo próprio estilo da autora. Logo nas primeiras páginas, dá pra reconhecer o talento dela em te envolver na história, te fazer amar Robert junto com ela e viver todo o clima artístico de Nova Iorque nos anos 70, principalmente.

26.12.10

Tique nervoso

Em dois anos você pode mudar de gosto musical, fazer um curso técnico, aprender uma nova língua, virar ruiva. Não fiz nada disso, mas durante os últimos dois anos eu não vi uma vez sequer uma grande amiga que foi tão próxima que nos chamávamos de grude e que me passou a minha maior mania: ficar puxando fios de cabelo um por um, isso sem arrancá-los, claro!

Ela se mudou pra Goiânia realmente do nada. Fui prestar o vestibular em Floripa e quando voltei, cadê? O que você faz quando leva o título de eleitor em vez da identidade no dia da prova mais importante da sua vida? Se muda pra capital do Goiás, onde tem família, para fazer cursinho lá. Tão óbvio. Acontece que nesse meio tempo ela já é uma futura arquiteta e nossas férias maranhenses nunca tinha coincidido. Até hoje.

O sotaque eu já percebia pelo telefone, mas o que é esse erre goiano? Inclusive o tom de voz parece que mudou, mas fica por aí. Como a futura turismóloga filosofou, de longe parecemos ter uma vida tão interessante, parecemos tão cheias de si. Quando nos reencontramos, vemos que somos as mesmas, continuamos praticamente iguais às garotas que usavam uma farda verde e repartiam club social em 2008, 2007, 2006... 2003.

Temos amigas novas, novas decepções com o sexo masculino, roupas diferentes, mas eu pelo menos continuo com a franja. Arquitetura continua assim meio castanha meio loira. Turismo ainda faz luzes. Como é estudar na PUC e morar em Goiânia? Como é a vida em Floripa? A UFMA a gente conhece... Uma vez um amigo falou que quando revia os amigos da cidade natal, só ficavam relembrando de episódios que viveram quando moravam todos no mesmo lugar. Fico feliz que depois de cinco meses, um ou dois anos, posso reencontrar amigas e ignorar se já nos apaixonamos pelo mesmo cara ou se éramos muito feias dos 13 aos 16 anos. A gente quer saber o que uma faz sem a outra.

Mentira, queria mesmo era saber se a arquiteta continuava com nosso tique nervoso. Tudo isso porque na sexta série era obrigada a sentar atrás dela todos os dias, reclamava que ela puxando os cabelos me impedia de ver o quadro e acabei com a mania também. Hoje ela deu um nome que eu nem me lembro pro nosso hábito e explicou que teve origem num trauma, de infância provavelmente. Se tive uma infância traumática eu não sei, mas a osmose fez seu trabalho muito bem.

25.12.10

O relógio da parede de vovó

Minha família tem essência feminina. Vovó teve oito netas e já tem duas bisnetas. Nossas reuniões sempre foram idênticas: brincadeiras das netas num canto, conversa das tias no outro e a presença masculina, quando tinha, era o marido de alguém. Crescemos, a maioria entrou na faculdade, as cariocas continuaram não vindo para as confraternizações de fim de ano porque era muito longe e por aqui paramos de organizar concurso de canto (na última edição, apresentei Aquarela de Toquinho) ou apresentação de dança com o bambolê do Tchan. Num certo Natal, todas ganhamos aquele bambolê colorido e desmontável do Créu dos anos 90. O que continua é a oração. Ah, a oração.

Tia Luda era católica, virou evangélica, algumas opiniões mudaram, mas a tradição é a mesma. Hoje depois da troca de presentes do amigo invisível, começou o burburinho. Será que vamos ter que segurar a fome por muito tempo? Vamos derreter na cozinha esse ano? "Olha, só vou fazer a oração porque vocês insistiram!". Leitura de uma passagem, foram dois versículos da bíblia essa vez, e sempre, sempre um discurso sobre o que estamos celebrando na data e as tendências pagãs que a festa ganhou com o tempo. Pior que ela nunca se repete, dá um jeito de passar uma mensagem diferente, mas talvez pela falta de assunto hoje ela falou pouco se comparado com martírios que já vivi, de passar trinta minutos olhando pro peru, pra farofa, pra salada e pra lasanha especial de mamãe enquanto titia fala e fala e fala.

O relógio cantante é outro que continua pendurado naquele bairro antigo da cidade. De hora em hora, canta uma música diferente e, em seguida, imita as badaladas de um relógio antigo para nos informar o tempo sem que tenhamos que olhar para ele. Com a baladinha mecânica, lembrei das tardes quentes brincando de barbie com as primas. Já meu padrasto e meu cunhado se assustaram, no meio da oração, com aquele barulho que parecia inaudível para os outros.

Temos a oração, o relógio, mas a família estava menor. A parte macapaense estava no seu devido lugar, o meio do mundo. Em compensação, batemos record de testosterona naquela cozinha. Quatro rapazes! ... e as nove mulheres. Feliz natal!

22.12.10

Amigo secreto blogueiro

Decidi participar do amigo secreto organizado pela Amanda porque ela me convenceu por twitter muita gente legal que eu já conhecia estava participando e seria legal ter a oportunidade de conhecer um pouco dos outros participantes. 

Veio o sorteio e o meu amigo invisível... bem, eu nunca tinha o visto na vida! Tentei fuçar um pouco e o blog dele não era lá muito pessoal. Fica fácil adivinhar considerando que só dois homens participaram do amigo secreto, mas tudo bem! O que eu soube dele é que era carioca, gostava de tecnologia e humor. Ou seja, nada a ver comigo. Tanto que na hora de mandar bilhetinho anônimo perguntando se ele preferia o presente X ou Y da lista que ele fez, respondeu que preferia o Z, hehe. Acabei comprando um dvd do Monty Python (who?). 



Realmente não sei quem é esse cara, o Yuri bem que podia fazer uma resenha depois para eu conhecer um pouco! ;)

Bem, quem acompanha pelo twitter sabe que eu viajei a São Paulo (post em breve!) no dia 15 e, até lá, não tinha recebido presente nenhum. Estou de falar com meus roommates se eu recebi alguma coisa, mas tá difícil encontrá-los nesse início de férias, quando souber se ganhei, o que ganhei e quem me tirou, aviso!