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5.9.08

(Mais) problemas na escola

Não consigo mais olhar na cara do meu professor de redação. É fato. E nem é porque foi ele quem perdeu o boleto de pagamento da minha inscrição do ENEM.

Depois do incidente, continuei prestando atenção na aula dele como antes. Principalmente porque ele também dá aula de português e literatura. Mas ele resolveu passar uma semana com um péssimo humor e tratando mal muitos alunos. E também quis me dar pontos de graça para recompensar as minhas perdas em relação ao ENEM. É que na minha escola uma prova do bimestre vale só 7. Os outros 3 pontos são qualitativos. No geral, os professores fazem o que querem com esses pontos. Esse professor manda quinhentos exercícios e faz cálculos que só ele entende para mascarar os verdadeiros critérios de avaliação (que se baseiam na afinidade que ele tem com o aluno em questão). Sabe, eu não faço todos os exercícios. Nunca fiz. Quando eu ouço a frase "Esse exercício vale ponto" perco na hora a vontade de respondê-lo.

Aí ele resolve dar 3 para mim e para uma amiga sendo que não fazemos os exercícios e que, na maioria das vezes, estudamos outras coisas nos horários dele? Sobre a pontuação da minha amiga eu não posso falar nada. Mas fui até ele e disse que não queria os pontos. Que os critérios dele não eram justos e que se eu não fiz determinada atividade que valia 1 ponto eu não tinha como ganhar 3! Ele respondeu que usou comigo outros critérios, mas ele tem que usar comigo os mesmos que usa com os outros!!!

Sempre achei que o tempo de aula dele não era bem aproveitado e que ele pecava em muitos outros aspectos, mas sempre deu para agüentar. Ainda mais porque ele foi muito amigo da minha irmã quando ela estava na escola. Só que não dá. Não dá. Não dá. Não dá. Sei que não tenho o poder de tirar professor algum. Mas isso não me obriga a ficar nas aulas dele. E nem prestar atenção quando estiver.

Hoje de manhã, no primeiro horário, ele não estava fazendo nada. Nada mesmo. É sério. Mandou um aluno entregar as redações corrigidas e ficou sentado na mesa dele. Sinceramente? Isso é uma falta de respeito aos alunos que estão lá para assistir aula e não ficar de papo pro ar. E depois vem reclamar quando eu saio da sala sem pedir permissão. Como se eu não estivesse procurando desculpa pra ficar longe da aula dele.

3.9.08

Eritroblastose fetal

"A eritroblastose fetal ou doença hemolítica do recém-nascido ocorre quando uma mãe de Rh negativo que já tenha tido uma criança com Rh+ (ou que tenha tido contato com sangue Rh+) dá à luz uma criança com Rh positivo. Depois desse contato com o sague Rh positivo, o corpo da mãe cria anticorpos contra os antígenos presentes nas hemácias caracterizadas pelo Rh+. Durante a segunda gravidez, esses anticorpos podem atravessar a placenta e provocar a hemólise (rompimento das hemácias) do sangue da segunda criança."

Minha irmã é Rh positivo. Eu sou Rh positivo. Talvez minha mãe seja Rh negativo, não tenho certeza de que ela diz a verdade quando afirma o contrário. Sei que com os avanços da medicina essa doença é facilmente evitada quando é feito o acompanhamento pré-natal. Mas, sabe, é muita coincidência eu ter tido icterícia quando era um bebê e ter anemia até hoje (seqüelas dessa doença).

p.s.: Eu juro que não acho que tenho eritroblastose só porque estou estudando isso em biologia.
p.p.s.: Hoje eu gravei uma entrevista sobre a esperança que nunca morre. Acho que a reportagem só vai aparecer amanhã na segunda edição do jornal local. Socorro.

23.8.08

O que mudou

depois que eu soube que não fui inscrita no ENEM.

Como eu falei no post passado, no dia da descoberta eu saí da escola mais cedo porque não parava de chorar. Fui ao curso de exatas. No meio da aula, eu lembrei de toda a história, chorei de novo e minha irmã foi me buscar (ainda me levou para tomar sorvete!!!). À noite, não consegui pegar em livro algum.

Nos dias seguintes, eu não conseguia me concentrar direito, não estudei como deveria. Na verdade, não produzi (aprendi, no caso) nem metade do que eu produzo normalmente. Não conseguia resolver quase nenhuma questão de física, tive um péssimo desempenho na aula de redação e não tive ânimo (nem lembrei) para participar do trote de ontem. Sem contar que eu não sinto fome há algum tempo (não que eu tenha parado de comer, não sou louca).

Maas estou colocando um ponto final nessa semana apática e, por isso, resolvi mudar o layout do blog. Aquelas cores neutras estavam me deprimindo! Essa vetorização quem fez foi minha irmã (imprimiu numa gráfica e me deu de aniversário!) e nem precisa dizer que eu amei, né? Só não sei se aguento muito tempo olhar meu rosto toda vez que entrar aqui...

20.8.08

ENEM 2008

No semestre passado, a diretoria da minha escola disse que pagaria a inscrição do ENEM dos 11 melhores alunos do terceiro ano. Eu estou entre esses 11, fiz minha inscrição ao lado do professor de português e vi o boleto de pagamento sendo impresso.

Hoje, fomos conferir nossos locais de prova. Coloquei meu nome, o nome da minha mãe, meu estado e minha data de nascimento. Não acharam minha inscrição. Dei o número do meu CPF (que eu tento decorar há séculos) e não acharam nada também. A minha esperança era que eu tivesse errado o número do CPF. Mas não, tava certo.

Conclusões: ou a escola esqueceu de pagar minha inscrição ou esqueceram do meu nome na hora de mandar a lista com o nome dos alunos (acho que é pra confirmar que a gente estuda lá, já que a inscrição pede essa informação). Parece que esqueceram o nome de outro aluno também.

Acho que eu nunca senti tanta raiva na minha vida. Chorei, deixei coordenador falando sozinho, chorei, gritei com a minha voz fina de choro e chorei mais ainda. Depois eu resolvi vir para casa porque eu não ia aguentar ficar lá sem chorar mais.

Por ironia do destino, meus colegas de classe estão assistindo a uma palestra sobre o ENEM nesse exato momento. A minha vontade é de passar em todas as universidades possíveis e não deixar que usem meu mérito para promover a escola. Isso pode ser imaturidade, ressentimento guardado inutilmente, que seja. Eu, que sempre sonhei em ver meu nome no outdoor na escola, faço questão de não ver mais.

20.6.08

3° chocolate da tarde

Hoje no curso(uma aula meio que particular) fizemos um mini-vestibular de física, química, matemática, história, geografia e biologia com 30 questões. Desde segunda-feira, o professor falou que a primeira questão de matemática seria um desafio e quem a acertasse ganharia um chocolate. Mas não qualquer um, ia ser O chocolate. Eu, nada chocólatra, fiquei ansiosa mas me conformei em não ganhá-lo quando eu vi aquela questão cheia de retângulos e circunferências. Acabei igualando tudo e marquei a resposta que encontrei.
Umas cinco horas (comecei três), eu entreguei meu gabarito (eu odeio anotar as respostas porque fico achando que marquei muitas letras repetidas) e entreguei pro professor que olhou mas não falou nada. O que eu podia pensar? Que não havia acertado a tal questão.

- É, pelo visto eu não vou ganhar chocolate - disse pra Márcia enquanto arrumávamos nossas coisas pra ir embora.

E foi aí que meu professor se lembrou de olhar a minha resposta da primeira questão e gritou: "O terceiro chocolate da tarde saiu!".

21.5.08

Estudos, meu único assunto

Tenho que parar de me importar com a vida estudandil dos outros. Sério. Não vou mais ligar se a Márcia (ver post do dia 7) falta às aulas particulares que faz comigo por preguiça ou para assistir a um filme, se ela falta aula da escola para dormir, se ela não estuda para passar na UFMA ou qualquer coisa do tipo. Sei que me preocupo não só com a Márcia, mas com todas as minhas amigas, queria que todas nós passássemos na federal. Mas é difícil acreditar no potencial delas quando a que quer medicina fica saindo o tempo todo ou até mesmo a outra que também quer medicina fica desmerecendo aulas de redações sendo que a produção textual desclassifica alguém rapidinho. Se já é difícil acreditar na minha própria aprovação no vestibular, sabendo as horas que durmo a menos, os esforços que faço a mais...

Saiu o ranking do primeiro bimestre:
1. Amiga minha que prova que garotas bonitas podem ser inteligentes/boas dançarinas/ etc.
2. Nerd magrelo que fica sozinho no recreio.
2. Nerd gordinho que também fica sozinho no recreio. (Sim, as médias deles foram iguais)
3. Amiga minha filha do melhor professor de história do MA (o meu, tá.)
4. Fred (alguém lembra desse nome?)
5. Garota inteligente normal.
6. Eu, oi.

Tá vendo! Nem sou tão nerd quanto aparento. (Se bem que as médias variam em poucos décimos) Faço mais o tipo que acerta questões que ninguém acerta, mas que se confunde nas provas de biologia e que não estudava para filosofia porque não vai cair no meu vestibular, enfim.

p.s.: Márcia acabou de dizer que nem foi assistir ao filme. E também não foi à aula. Ai, ai.

10.4.08

Ainda não posso mudar o mundo,

mas mudo a minha escola, por enquanto.

Nesse ano, a matéria de geografia foi dividida para dois professores. Um deles é conhecido aqui em São Luís e é muito bom (até deu aula para mamãe, mas isso é assunto para outro post). O outro foi contratado por causa das suas referências (professor A). Bem, com esse outro, foi ódio a primeira vista. No início, o louco queria nos mandar fazer um mapa político do Brasil (as regiões tinham de estar pintadas, sendo que a cor azul não poderia ser usada já que é a cor do oceano). Eu, particularmente, já passei dessa fase de desenhar mapas e se alguém não sabe as capitais e estados do Brasil, o problema não é meu. Ele também começou a ridicularizar alunos de escolas públicas e foi aí que eu percebi a sua falta de ética. Ele chegou a dizer que aluno de escola pública nem sabia calcular a média das suas notas.

A aula dele não é boa e ele ainda nos trata como se fôssemos burros já que as aulas que "assisto" são iguais àquelas que assisti quando estava na quinta série. Enfim, tanto reclamei desse professor para o coordenador que acabei metida nas reuniões com os líderes da minha sala e passei a reclamar diretamente para a diretora. Com todos os meus argumentos, que não são poucos, consegui que tivéssemos uma aula experimental com o professor de geografia do turno da tarde. Nem precisa dizer que a aula foi quinhentas mil vezes melhor que a do professor A, certo?

Depois da aula, eu e mais dois colegas de sala fomos conversar novamente com a diretora. Após dizer que tinha gostado da aula do novo professor e reenumerar os defeitos do professor "atual", ela já estava praticamente combinando com o novo professor o horário das aulas dele para o terceiro ano. Só saí de lá porque já estavam me esperando, mas saí satisfeita. Amanhã teremos mais uma aula experimental com o novo professor e eu duvido que alguém seja capaz de não gostar.

p.s.: Um dos argumentos do meu-colega-que-acha-que-professores-são-deuses é que o professor A se preocupa com a gente. Ele diz isso só porque ele forneceu a uma aluna umas provas de geografia da UFMA e outros materiais de aula. Alô-ôu, qualquer um consegue acessar o site da universidade e baixar as tais provas. Além disso, mamãe também se preocupa muito comigo, mas nem por isso me ensina geografia.
p.p.s.: Na última aula dele que assisti, ele deu aula sobre fuso horário com um material no datashow que consistia em um marujo e papagaio explicando o assunto. Tão correspondente ao nível de um terceiro ano...

26.10.07

Camarões, esponjas e o Japão

- Kuriko era um camarão fêmea um tanto solitário que, apesar de ser jovem, não lembrava muito bem de sua infância. Apenas possuía vagas lembranças de uma casa de forma cilíndrica e sabia que teve que sair de perto dos seus pais ainda cedo.

- Sim, Kuriko tinha amigos e costumava frequentar as festas mais badaladas dos corais perto da casa que dividia com Tomoyo (as amigas moravam no Condomínio Coral Village). Porém, apesar da vida que levava, Kuriko se sentia só e frequentemente estava triste.

- Até que num tedioso domingo ensolarado, quando voltava da sua natação habitual, Kuriko conheceu Yakuda e logo percebeu que este era o camarão da sua vida.

- Yakuda e Kuriko passaram a se encontrar todos os dias e viviam uma linda história de amor. Estavam apaixonados.

- Numa noite de lua cheia, Yakuda preparou um jantar à luz de velas num coral deserto para Kuriko. Lá, fez o pedido com o qual todo camarão fêmea sonha. Ele a convidou para habitarem uma esponja e lá ficarem até esta morrer.

- Kuriko e Yakuda tiveram uma vida muito feliz dentro de sua esponja e tiveram muitos filhos saudáveis. No fim, Kuriko lembrou que a cada dos pais da qual lembrava também era uma esponja. Sua mãe, assim como ela, encontrara o camarão perfeito.

Texto escrito após estudar biologia (poríferos) e descobrir que camarões chamados de espongícolas habitam esponjas da classe Hexactinellidae e se alimentam e fazem todo o resto através do fluxo de água que passa pelas esponjas. Eles tem filhinhos que saem pelo ósculo (abertura da esponja) e morrem quando a esponja morre. Ah, eles ficam pra sempre na esponja porque crescem e não conseguem mais passar pelo ósculo. No Japão e nas Filipinas, o esqueleto da esponja com os esqueletos do casal de camarões é um presente típico de casamento que simboliza que o amor dos pombinhos vai durar pra sempre. Achei isso lindo.