Mostrando postagens com marcador cotidiano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cotidiano. Mostrar todas as postagens

20.6.11

Shhhhhhh!

A única balada de Floripa com vista pra ponte Hercílio Luz. Três djs tocando ao mesmo tempo. Headphones sem fio e a opção de escolher qual festa você queria acompanhar. Canal 1, rockzinhos animados na "disaster", canal 2, clássicos do pop na "2manyhits" ou o canal 3, músicas de pura vergonha alheia na "trashyk". Fui numa das festas do clube do silêncio, que tem acontecido no Brasil e fora daqui também. Era a segunda edição aqui em Florianópolis.


Usando o headphone, a festa acontecia também fora da pista, no banheiro, na área de fumante, na fila pra pagar a conta e na escada derruba-bêbado do lugar. E se você tirasse o fone, só encontrava silêncio nesses locais pouco ocupados. Na pista, cada um canta a sua música, dança a seu estilo. Os djs lutam para que a casa inteira cante a música do seu canal. Eu me arrisco a dizer que as músicas mais unânimes tocaram na trashyk. O auge da noite foi quando todos cantamos Olha o que o amor me faz, clássico da nossa geração do final dos anos 80 e começo dos 90, com direito a performance do dj. A verdade é que esse reservou muitas coreografias para a festa e eu mudava para o canal dele só pra acompanhar.

Robocop gay, Raimundos, lady gagaísmos e clássicos como I wanna rock and roll all night e Girls just wanna have fun também formaram coros. Mesmo com o volume no máximo (sim, isso também era regulável), era difícil escutar o que eu queria se não quisesse acompanhar a maioria. Porque, né, me desculpa, mas Raimundos não desce pra mim.

Os momentos de não-tá-tocando-nada-bom foram raros. Ganhei minha noite com as músicas de sempre (1 2 3 4)  e fui feliz rebolando devagar e depois desce, na boquinha da garrafa, declarando que a cor dessa cidade sou eu e arrasando na dança do ventre com a música da Jade. O sucesso ficou pra banda Uó, a nova maneira de ouvir tecnobrega e ainda parecer cool.


Os seguranças também receberam fones. E ficavam trocando de canal que eu reparei, hein. Chato vai ser ir a outras festas sem a opção de escolher a minha música, sempre fui viciada em ficar trocando de estação no rádio ou pulando pra próxima no aleatório do media player. Quero liberdade musical. Quero poder dançar música diferente da que meus amigos dançam. Quero meu headphone de volta!

17.6.11

Não era o dia

Madame Bovary. Tenho vontade de ler esse livro antes mesmo de odiar o professor de literatura que adorava. Nunca tive a oportunidade e esqueci dele pra sempre até Malu de Bicicleta, história que gira em torno desse livro. Voltou a vontade, mas olha a minha cara de quem ia até a biblioteca pegar esse livro, não estou lendo nem Hemingway.

A minha aula surrupiada de antropologia social fica no centro socioeconômico e a lanchonete de lá é um dos pontos mais movimentados da universidade à noite. Eram umas 20hrs e fui tomar um café com a minha amiga do jornalismo. Chegamos perto da única mesa - de plástico mesmo e vermelha - livre e olhamos um livro. Madame Bovary. Hesitamos, mas sentamos ali. Ninguém apareceu para buscar. Não tinha nome, dedicatória, nada. Era uma daquelas versões clássicas de capa dura verde e fios dourados.

Olha, quem tem a capacidade de esquecer livro em lanchonete da UFSC não tem a menor chance de lembrar onde deixou. Mas aquela edição novinha piscando me deu certeza que fora deixado ali de propósito. Não sei se está cadastrado em um daqueles sites onde as pessoas cadastram livros que "perdem" conscientemente por aí, não sei se o dono queria repassar a leitura de uma maneira diferente. Sentia que o livro me pertencia, mas o pastel gorduroso acabou, minha amiga me repreendeu e, mesmo argumentando que alguém que nem gostasse de literatura poderia roubar o livro, ela não concordou muito que eu pegasse. Ou foi ela que incentivou e meu super ego projetou o sentimento de culpa? A aula recomeçaria em breve, levantamos e fomos. Com as mãos livres. Nos encontraremos de novo, Madame Bovary.

9.6.11

Guichê 9

Dia dos namorados chegando. E daí? Não tenho namorado e nem por isso preciso ficar morrendo de tristeza por estar sozinha. Até porque é culpa do destino. Faz um tempinho já que li uma crônica do Antonio Prata (não consegui achar o link, se alguém lembrar, compartilhe!) sobre pequenas apostas do cotidiano do tipo "Se eu não conseguir passar antes do semáforo ficar vermelho, meu time vai perder". Inspirada, resolvi experimentar o jogo na última vez que fui colocar crédito no cartão do ônibus. Tinha um atendente muito muito bonito e pensei "Se minha senha cair no guichê dele, minha vida amorosa vai deslanchar!". Não caiu por uma senha.

Então só me resta aceitar o azar e apostar minha vida amorosa em outro momento para ver se alguma coisa muda nesse marasmo. Enquanto isso, posso me presentear em vez de presentear alguém e escutar a mixtape que homenageia o amor verdadeiro que a Irena preparou. Acompanho todas as seleções que ela faz desde o começo e posso garantir que são sempre muito boas!

5.2.11

Meu eu vulnerável

Tem gente que mal ficou bêbada e já vai falando o nome completo, endereço, telefone e qual-rede-social-você-pode-me-encontrar. Fico comportada quando alcoolizada, minto meu curso, não digo nem a pau onde moro, alego ser mais velha do que sou, me recuso a dar qualquer forma de contato e, claro, invento outro nome. Só não posso me gabar da criatidade. Dizer que me chamo Carol depois da minha amiga falar que o nome dela era Ana?

E aí descobri meu momento de vulnerabilidade para falar tudo da minha vida: me coloca atrás de um volante, morrendo no calor maranhense e com os pés nuns pedais chatos. Malditas aulas de direção. Meu instrutor é um idiota. Não é lá muito didático e paciente, faz piadas ridículas e obviamente tem alguma ligação com Santa Catarina (parece que talvez vá trabalhar em Blumenau). Porque ultimamente não paro de conhecer gente aqui em Slz que mora em Floripa. Noutro dia, no Reviver (como chamamos o centro histórico da cidade), tinham três alunos da UFSC e um da Udesc. Vê se pode?!

Tá, o meu instrutor é do tipo de cara que, quando um cachorro passava na frente do carro, perguntava "Gosta de cachorro? Sim? Então atropela ele". Quando era uma pomba, "Gosta de pomba? Não? Então não atropela". E eis que nas primeiras aulas, quando eu ainda morria nervosa andando naquelas ruas de bairro e sofria com a perspectiva de evoluir pra avenidas, ele conseguiu arrancar várias das minhas informações pessoais. Inclusive meus dois celulares (o 98 e o 48). Mereço?

26.12.10

Tique nervoso

Em dois anos você pode mudar de gosto musical, fazer um curso técnico, aprender uma nova língua, virar ruiva. Não fiz nada disso, mas durante os últimos dois anos eu não vi uma vez sequer uma grande amiga que foi tão próxima que nos chamávamos de grude e que me passou a minha maior mania: ficar puxando fios de cabelo um por um, isso sem arrancá-los, claro!

Ela se mudou pra Goiânia realmente do nada. Fui prestar o vestibular em Floripa e quando voltei, cadê? O que você faz quando leva o título de eleitor em vez da identidade no dia da prova mais importante da sua vida? Se muda pra capital do Goiás, onde tem família, para fazer cursinho lá. Tão óbvio. Acontece que nesse meio tempo ela já é uma futura arquiteta e nossas férias maranhenses nunca tinha coincidido. Até hoje.

O sotaque eu já percebia pelo telefone, mas o que é esse erre goiano? Inclusive o tom de voz parece que mudou, mas fica por aí. Como a futura turismóloga filosofou, de longe parecemos ter uma vida tão interessante, parecemos tão cheias de si. Quando nos reencontramos, vemos que somos as mesmas, continuamos praticamente iguais às garotas que usavam uma farda verde e repartiam club social em 2008, 2007, 2006... 2003.

Temos amigas novas, novas decepções com o sexo masculino, roupas diferentes, mas eu pelo menos continuo com a franja. Arquitetura continua assim meio castanha meio loira. Turismo ainda faz luzes. Como é estudar na PUC e morar em Goiânia? Como é a vida em Floripa? A UFMA a gente conhece... Uma vez um amigo falou que quando revia os amigos da cidade natal, só ficavam relembrando de episódios que viveram quando moravam todos no mesmo lugar. Fico feliz que depois de cinco meses, um ou dois anos, posso reencontrar amigas e ignorar se já nos apaixonamos pelo mesmo cara ou se éramos muito feias dos 13 aos 16 anos. A gente quer saber o que uma faz sem a outra.

Mentira, queria mesmo era saber se a arquiteta continuava com nosso tique nervoso. Tudo isso porque na sexta série era obrigada a sentar atrás dela todos os dias, reclamava que ela puxando os cabelos me impedia de ver o quadro e acabei com a mania também. Hoje ela deu um nome que eu nem me lembro pro nosso hábito e explicou que teve origem num trauma, de infância provavelmente. Se tive uma infância traumática eu não sei, mas a osmose fez seu trabalho muito bem.

25.12.10

O relógio da parede de vovó

Minha família tem essência feminina. Vovó teve oito netas e já tem duas bisnetas. Nossas reuniões sempre foram idênticas: brincadeiras das netas num canto, conversa das tias no outro e a presença masculina, quando tinha, era o marido de alguém. Crescemos, a maioria entrou na faculdade, as cariocas continuaram não vindo para as confraternizações de fim de ano porque era muito longe e por aqui paramos de organizar concurso de canto (na última edição, apresentei Aquarela de Toquinho) ou apresentação de dança com o bambolê do Tchan. Num certo Natal, todas ganhamos aquele bambolê colorido e desmontável do Créu dos anos 90. O que continua é a oração. Ah, a oração.

Tia Luda era católica, virou evangélica, algumas opiniões mudaram, mas a tradição é a mesma. Hoje depois da troca de presentes do amigo invisível, começou o burburinho. Será que vamos ter que segurar a fome por muito tempo? Vamos derreter na cozinha esse ano? "Olha, só vou fazer a oração porque vocês insistiram!". Leitura de uma passagem, foram dois versículos da bíblia essa vez, e sempre, sempre um discurso sobre o que estamos celebrando na data e as tendências pagãs que a festa ganhou com o tempo. Pior que ela nunca se repete, dá um jeito de passar uma mensagem diferente, mas talvez pela falta de assunto hoje ela falou pouco se comparado com martírios que já vivi, de passar trinta minutos olhando pro peru, pra farofa, pra salada e pra lasanha especial de mamãe enquanto titia fala e fala e fala.

O relógio cantante é outro que continua pendurado naquele bairro antigo da cidade. De hora em hora, canta uma música diferente e, em seguida, imita as badaladas de um relógio antigo para nos informar o tempo sem que tenhamos que olhar para ele. Com a baladinha mecânica, lembrei das tardes quentes brincando de barbie com as primas. Já meu padrasto e meu cunhado se assustaram, no meio da oração, com aquele barulho que parecia inaudível para os outros.

Temos a oração, o relógio, mas a família estava menor. A parte macapaense estava no seu devido lugar, o meio do mundo. Em compensação, batemos record de testosterona naquela cozinha. Quatro rapazes! ... e as nove mulheres. Feliz natal!

15.10.10

BBB no BK

Resolvi dar uma segunda chance ao Burger King brasileiro - sinto falta do bacon que New York me apresentou - e fui jantar lá hoje antes da aula de inglês. Completamente vazio. E estranho. Porque a outra vez que eu tinha ido foi na semana de inauguração e Floripa não conhecia BK antes disso.

Uma moça registrou meu pedido num iPhone versão fast-food. Só tinha uma pessoa no caixa e logo fui atendida. Recebi uma senha, fui esperar meu lanche ou a eternidade desfilar na Sapucaí. Todo o conceito de comida rápida que eu conheço desde a época que Mc Lanche Feliz era vendido a quatro reais desmoronou na minha frente. Só uma pessoa colocava os lanches na bandeja. Isso com a mesma velocidade que eu subo escada, ou seja, melhor nem comentar.

O namorado da mulher na minha frente já estava com a sua bandeja recheada e ela bafejando. A funcionária passava horas olhando para os sanduíches prontos e... não fazia mais nada. Logo identifiquei uma fiscal do trabalho. Provavelmente eram todos trainees. Nós clientes éramos cobaias e a fiscal de roupa social e rede no cabelo era um Pedro Bial silencioso. Não dizia que talvez íamos casar ou talvez não, olhava tudo e ia decidir quem seria eliminado. Porque se dependesse dos clientes na fila não restaria um empregado sequer. Quando a loira montada no salto recebeu seu lanche, experimentou a batata e descobriu que ela não estava frita. Sensacional. Fritaram novas batatas, a loira foi embora e ainda demorei uns minutos para receber meu pedido. Tanta demora e eles sequer servem nosso refrigerante. Enquanto isso, a Bial caminhava lentamente e apenas levantou a sobrancelha com o episódio das batatas.

De bizarro ainda vi uma trainee escovando os dentes no banheiro de todo mundo logo depois de tê-lo limpado. E, sinceramente, tenho um medo de conhecer - de verdade - alguém que trabalhe numa dessas redes. Não sei o que pensar.

11.10.10

Ufscães também podem, então

Fui com o namorado hoje ao Iguatemi tomar sorvete e ficamos olhando algumas vitrines. Assim que subimos ao segundo andar e passamos pela Kopenhagen, eu vi um poodle. Pretinho assim, um poodle. No colo de uma madame com idade para ser a minha mãe.

- Amor, pode cachorro no shopping?
- Acho que não. Por que?
- Oi? Tinha um na nossa frente?
- Ih, vamos falar para o segurança?

Andamos por vários corredores do segundo andar, descemos de volta e os únicos seguranças que encontramos foi de lojas tipo Renner e do supermercado. A questão é: ONDE foram parar os seguranças que corriam atrás de moleques que aprontavam no shopping? Não deveriam estar de olho nessa geração Restart? Não dá pra confiar neles só porque trocaram camiseta de banda de metal por tênis coloridos. E o triste é que perdi a chance de chegar como quem não quer nada e...

- Moço, cachorro pode entrar no shopping?

17.8.10

Google assassino

A imagem que o Google me passa é que ele quer matar todos os sites e ferramentas da internet que não sejam dele ou não possam ser comprados. O Wave queria matar o e-mail, o twitter, todos os outros sites do mundo e acabou enterrado. A notícia sobre o fim da onda (ou marola) ficou no final das páginas de portais de notícias, poucas pessoas twittaram sobre.

O que o Google não sabe é que ele acabou de por fim à vida da minha agenda de papel. Nunca tinha dado bola pro link "Tarefas" que tinha surgido no Gmail. Até hoje quando estava ficando louca de pensar em tantos compromissos, em tanto e-mail que tinha que mandar e todo o resto. Era um neurônio brigando com o outro pra  decidir qual pendência era mais importante. Antes que eles cometessem suicídio com overdose de sinapses, cliquei em "Tarefas" e comecei a escrever. Achei divertido. No final do dia, 17 ítens na minha lista sendo cinco deles já riscados. Ufa.

15.8.10

Cestinha de compras

Hoje fui ao shopping procurar uma bota e saí de lá com uma saia e uma sapatilha de promoções. Passei no mercado na saída e achei minhas compras bem aleatórias.

Tapete cor-de-rosa para o banheiro: porque estou nessa vibe de comprar coisas para casa aos pouquinhos.
Acetona: fiz as unhas antes de voltar à Floripa e não sei onde deixei a minha nessa loucura de mudanças.
Sabonete para o rosto: minha pele ainda não se acostumou com o frio e esse prometeu que ela não vai ficar ressecada, aham.
Bisnaguinhas: melhores amigas de uma estudante que tem que comer todo o pão que compra.
Pão de queijo: para assar na casa do namorado antes de ir pra minha própria casa.
Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios: fui conquistada pela capa. Quero saber de onde surgiu a ideia de negócios como o Twitter, Spoleto, Starbucks, entre outros. Adorava assistir esse programa da globo nos domingos de manhã, depois de assistir Siga Bem Caminhoneiro no SBT. Era uma criança um pouco perturbada.

12.8.10

Engarrafamento

Depois de andar uns quarenta minutos pelo centro da cidade ontem e descobrir que o cartório eleitoral estava de portas fechadas graças ao dia do advogado ou outra data desse tipo, voltei lá hoje e me cadastrei para votar em trânsito. Pessoas que estarão fora do seu domicílio eleitoral podem votar para presidente em qualquer capital do país. Fiz isso porque procrastinei no período de transferir meu título e não queria me formar jornalista sem ter chegado perto de uma urna eletrônica oficial. Nas eleições de 2008 eu não votei porque preferi estudar para provas em vez de tirar o documento de última hora. Uns 20 minutinhos na fila e me cadastrei pra votar aqui em Floripa com um funcionário que afirmava ter namorado uma maranhense de Paraibanos. Ele reclamou que eu ser do Maranhão o deixou com saudades da ex, parecia um poeta das antigas suspirando.

4.8.10

Quatro olhos

Esses dias estou almoçando sempre com papai porque minha irmã, a turista que acabou de voltar de Curitiba, já está passeando no Rio de Janeiro. Combinamos de ir depois para o oftamologista. Finalmente voltei a me consultar com o primeiro médico que me passou óculos, que também foi o primeiro de mamãe, da irmã, de papai, de Lucky, etc. No restaurante, eu não usava meu óculos. Primeiro porque raramente uso ele fora da faculdade, do cinema, de lugares onde preciso enxergar. Segundo porque odeio comer de óculos. A armação me incomoda, não é legal. Escolhi comer um frango à milanesa lindo, bem gordinho. Coloquei vários no prato e só escolhi isso de carne. Pesei, sentei, cortei o primeiro frango. Mastiguei e era banana frita.

3.7.10

Poxa, Brasil!

Assisti à estreia da seleção brasileira nessa copa num bar com os amigos. De última hora, percebemos que todos os bares do entorno da faculdade estavam apinhados de gente e mudamos de destino. Cheguei na hora do hino. Realmente não sou muito de futebol. Gosto de assistir de vez em quando, mas não grito, fico na minha. Durante a partida, percebi que a minha primeira copa fora de casa seria com os amigos do curso, quebrando o expediente das aulas ou do estágio para ir ao bar e vendo a UFSC inteira parar quando os brasileiros estavam em campo.

Minha relação com a copa da África do Sul começou mais de mês antes com o álbum de figurinhas online disponível no site da Fifa. Todos os dias, três pacotes com cinco figurinhas cada para colar no meu álbum em versão flash. Podíamos trocar as figurinhas entre os outros desocupados que também estavam participando. Do meu grupo de amigos, fui a segunda a completar o álbum. A última figurinha foi o Lúcio, do Brasil, que tanto apareceu nos nossos jogos.


No segundo jogo, acabei ficando em casa porque tinha que lavar roupa (sim!). Acabei contando sobre o terceiro no post passado. A quarta partida coincidiu com a visita de mamãe e padrasto à Floripa e vimos juntos. E, hoje, com a camiseta do Brasil comprada recentemente, dei gritinhos esperando que a nossa seleção virasse o placar no segundo tempo. Não posso dizer que fiquei mais triste do que eu esperava porque realmente não cogitei a possibilidade de sermos desclassificados pela Holanda. Esqueci do meu ódio por vuvuzelas, era muito emocionante todo o bar gritando e pedindo "Gol, gol, gol, gol... !" quando nossos jogadores corriam pelo campo do adversário. Levantei antes do árbitro terminar a partida e fui pagar a conta para evitar uma fila quilométrica no caixa do bar e antes mesmo de ser atendida, perguntei ao namorado "Acabou mesmo o jogo?" numa esperança de que ele respondesse que teríamos outra chance só porque somos o Brasil. Mas isso não existe. E, sim, acabou.

Não pude deixar de ficar ainda mais triste pela derrota na copa dos meus amigos da faculdade. Não tenho a menor ideia de onde vou estar em 2014 e nem das pessoas que vão assistir aos jogos comigo. Tudo isso porque acompanhei a saga de posts do Championship Vinyl sobre as copas do mundo que ele já viveu.

"Minha obsessão com a Copa é puramente emocional.

A cada quatro anos, existe um mês, um único mês, em que eu abandono todos os meus heróis, sejam eles dos cinemas, da música, ou dos quadrinhos, e venero somente aqueles poucos heróis (e odeio com esta mesma intensidade alguns dos vilões) que correm por aquele gramado. Entrego minha felicidade a eles e, justamente na busca por esta felicidade, choro, rio, faço promessas, tenho superstições, abraços pessoas que acabei de conhecer e grito. Grito com força, tudo aquilo que esperei quatro anos para gritar.

Ao mesmo tempo, acompanho todos os jogos, anoto resultados em tabelas, faço projeções e adivinhações, estudo escalações, táticas e revejo gols, sabendo que tive a sorte de assistir a lances que pessoas que serão lembrados daqui a muito, muito tempo.

A cada quatro anos, existe um mês, um único mês em que nada mais existe para mim
." (Trecho da introdução à saga).

E andando pra faculdade depois da eliminação, lembrei do post do Antonio Prata que li ontem. Era um relato de uma conversa pelo telefone com o pai, Mário Prata.

- Tá gostando da seleção, pai?
- Tô torcendo contra.
- Por que?!
- Meu filho, a gente vai ter que passar os próximos quatro anos vendo a Dilma ou o Serra, todo dia, no jornal e na televisão. Além disso, o Dunga?! Tem que pensar nessas coisas…

28.4.10

Boa noite, Cid

Na segunda, fui assistir a uma conversa com o octogenário Cid Moreira e a mulher dele, Fátima Sampaio Moreira, no Iguatemi. E eu me pergunto o que São Pedro tem contra os eventos organizados pela Saraiva pra sempre mandar cair um pequeno dilúvio aqui em Florianópolis nos dias que eles acontecem.

A conversa foi levada muito bem pelo jornalista Mário Motta e gostei de ter ido. Apesar da mulher dele não calar a boca. Tudo bem que foi ela quem escreveu a biografia do Cid, mas queríamos ouvir o ex-apresentador do Jornal Nacional. Ela o interrompia, contava de uma forma sobre ele ser mulherengo que eu ficava com vergonha alheia e ainda o fez mudar uma resposta no meio da sua fala.

Sinto um pouco de pena dele, porque, de uma maneira ou de outra, o Cid Moreira de hoje em dia tem um lado macaco de circo. Abriu e fechou o evento falando "Boa noite a todos" e deu outros vários "Boa noite" durante a conversa com o jornalista e o público.

Prefiro nem comentar sobre ele ter gravado em 6 anos a locução de toda a bíblia e nem sobre o salmo que ele leu pra gente, mas vi o Cid assim de perto e fiquei impressionada como a sua voz não dá nenhum sinal da idade que ele tem (82 anos). Boa noite.

12.3.10

Bem-me-viu o caramba!

Não sei como começou, mas eu odeio bem-te-vis. Odeio o canto deles. Acordo ao som de vários "bem-te-viiiiiiiiiii" e pronto, meu dia já começou ruim. Lembro de quando eu estudava na Casa do Sol Nascente e era uma das primeiras a chegar porque ia de transporte escolar. O colégio ainda estava deserto, o sol ainda nem tinha nascido nos tempos de horário de verão e quando ele valia lá pro Nordeste. Bem no meio do pátio ao ar livre, havia uma piscina redonda onde fiz natação por alguns anos. Essa piscina tinha uma cerca de madeira colorida. E no começo da manhã eu sempre ficava olhando - sem óculos, ainda - os bem-te-vis pousados na cerca. Gostava do que via, realmente gostava. Mas minha lembrança não tem sons, lembro apenas dos passarinhos calados.

Na casa que eu morava antes de me mudar para apartamentos, tínhamos algumas árvores e as que eu mais gostava eram o pinheiro (por motivos sobrenominais), a goiabeira e a caramboleira. Tomava café da manhã cedo ao som do canto de diversos passarinhos e entre eles, o bem-te-vi. E realmente não me incomodava com isso. Na verdade, gostava bastante daquela trilha sonora e senti bastante falta dela quando fui morar no apartamento.
Foi só me mudar pro pensionato onde morei ano passado que, de uma hora pra outra, passei a odiar o canto de passarinhos pela manhã. Principalmente os bem-te-vis. Minha janela era muito perto de um matagal e é claro que ele atraía pássaros dos cantos mais diversos. E eu reconhecia fácil o canto do "bem-te-vi" e me irritava mais fácil ainda. Já odiava acordar cedo, descer e subir aquelas escadas, pegar ônibus pra chegar na faculdade. Fazer tudo isso ao som da música daqueles barrigas-amarelas era pior ainda.

Aí hoje saindo do trabalho, passando por um dos "jardins" da UFSC fui atacada pelo canto que já me importunou um monte. Um barriga-amarela voou na minha frente. E sabe o que mais? Eles ainda me irritam bastante. Só relevei a parada porque hoje é sexta e eu tava saindo do meu último compromisso da semana, sabe como é.

(Clique na foto pra saber de onde ela veio)

26.2.10

Essa falta de empreendorismo...

Padaria boa é padaria completa. Pra quem não sabe, eu me mudei daquele pensionato em dezembro um pouquinho antes de viajar. Ou seja, nem deu tempo de esvaziar as caixas. Só essa semana fui conhecer a padaria que tem aqui na rua e foi uma decepção completa. Pensem num lugar vazio. Não sei se eu estava acostumada com outra padaria um pouco mais longe que é abarrotada de guloseimas, coisas úteis e com várias estantes. A perto daqui foi a mais pobre que eu já vi na minha vida. Nem bisnaguinha industrializada tinha. Pra mim padaria tem que ter bolos e salgados (não só aqueles com cara de rodoviária), pãezinhos de todos os tipos,  doces, chocolates, salgadinhos, arroz, feijão, comida pro papagaio... tudo. Saí de lá com três pães massa grossa e prometi a mim mesma que nunca mais voltaria ali.

Mas é claro que hoje resolvi voltar. Queria comprar uma batata palha. Moro entre o shopping e essa padaria. Fui até lá e é claro que eles vendem batata palha, mas estava em falta. Tive que voltar tudo e ir ao mercado do shopping de qualquer maneira. Se fosse existir uma próxima ida a essa padaria, ia perguntar se eles estão só esperando o estoque acabar pra fecharem o estabelecimento. Entenda estoque por 3 kg de arroz, alguns sacos de milho pra pipoca e uns fandangos. Mas, sabe, eu realmente não consigo aceitar que alguém abra um negócio pra não ganhar dinheiro de verdade. Nem me espanta que eles não tivessem troco pra 50 reais ao meio-dia naquela primeira vez que fui.

14.1.10

O torneirinha

José Carlos, o Zeca, tem entre 50 e 55 anos. É um solteiro convicto que mora sozinho desde 1988 quando saiu da casa dos pais. Se formou em Administração pela UEMA, mas hoje é aposentado e trabalha meio período na empresa do afilhado. Só pra ter uma rotina. Faz o tipo de coroa que todo dia põe o óculos escuro, dirige até a Litorânea e caminha admirando o mar acinzentado de São Luís e os navios estacionados que esperam a vez de atracar no porto.

Mora num condomínio com dois prédios e fez questão de não morar no mesmo bloco que o síndico. O apartamento é no sexto andar e tem a melhor vista para os terrenos baldios ao lado e para o mar lá longe. Podia ser em qualquer outro andar, menos no quinto. Porque o quinto é de uma família globalizada e de um cachorro preguiçoso. E no primeiro, porque o elevador chegaria ao térreo muito rápido.

O imóvel de três quartos é muito espaçoso para quem mora sozinho, mas Zeca tem a companhia das TVs de plasma que espalhou estrategicamente pelo apartamento. Num quarto, ele dorme e guarda seus objetos mais pessoais. Noutro, ele tem um acervo de livros, revistas, textos e depoimentos sobre as copas do mundo, mas só até as de 1998. Desde moleque tem essa fixação pelos detalhes mais insignificantes do campeonato e não quis continuar o estudo com a copa de 2002 porque nunca foi fã do número 2. E o terceiro quarto era apenas para os amores. Zeca tinha o dom de convencer coroas enxutas que também caminhavam na praia a dormirem com ele e usava o cômodo especialmente para isso.

Caminhar pela manhã bem cedo. Faxinar a casa inteira. Trabalho no negócio do afilhado à tarde. Mergulho no futebol mundial pela noite. Era essa a rotina do aposentado. Vez ou outra, um encontro casual. Outra ou vez, saía pra conversar com o amigo que trabalhava vendendo sorvete no centro histórico. Mas era a cada duas semanas, na quarta-feira, que Zeca fazia o que tanto lhe deixava feliz. Não que fosse um hábito marcado, ele apenas sentia vontade de fazer aquilo a cada quinzena. Já não disse que ele morava no sexto andar? Pois tinha muito tempo para ficar no elevador até chegar ao térreo. E ele sabia - sem imaginar como sabia - quando desceria sem que o elevador parasse em andar algum. Os pelos do braço dele ficavam arrepiados e ele instantaneamente sabia o que tinha que fazer. Abria o zíper da calça ou do short e fazia xixi ali mesmo, no chão. Saía de lá realizado, mas conseguia esconder a felicidade com uma cara de quem tomou leite vencido caso encontrasse no térreo alguém que usaria o elevador. E ia à praia. Ou ao trabalho. Ou fazer uma visita, quem sabe.

*Baseado na sorte que eu tive de encontrar xixi no chão elevador duas vezes. Numa terceira vez, senti só o cheiro. E, acreditem, era muito xixi pra ser de um cachorro.


p.s.: Obrigada pelo apoio no post passado. Tô tomando uns remédios, mas continuo tossindo bastante. Ao menos estou comendo melhor. Amanhã devo marcar um otorrino pra ver o que ele(a) me diz!

20.12.09

Casório

Ontem fui ao casamento da irmã do meu padrasto (ou cunhada da minha mãe) e acho que esse foi o primeiro casamento que fui já crescida. Lembro de ter ido ao do meu pai com minha ex-madrasta e o de uns amigos da minha mãe (que eram, na época, pai e madrasta da minha melhor amiga, mas isso é outra história). Fiz cabelo, estreei um vestido daqueles que a gente compra pra posteridade e a festa apropriada parece nunca acontecer, comi tanto que quase cheguei a passar mal, enfim... Agora só consigo pensar em duas coisas:

1) Faço essa linha durona de menina que não consegue chorar em filme algum, mas fiquei muito emocionada quando vi a noiva, que já é quarentona, andando em cima do tapete vermelho ao som da marcha nupcial. Sério, aconteceu toda aquela coisa de lágrimas nos olhos.

2) Como fotógrafos de cerimônias reagem à popularização das câmeras compactas? Fiquei com vontade de perguntar isso para o fotógrafo do casamento durante toda a noite. Como ser paciente com os convidados que acham que precisam tirar foto de tudo, que se acham os fotógrafos da noite? Eu mataria um por um com aqueles flashes enquanto eu, caso fosse profissional, estivesse fotogrando os noivos.

p.s.: Só a minha mãe tirou 325 fotos com a compacta dela.

9.7.09

Como perder cinco dias da sua vida

Ou como eu perdi quase toda a minha primeira semana de férias.
Há uns três ou quatro anos, meu discurso preferido (porque toda adolescente passa por essa fase dos discursos prontos) era que dormir é perda de tempo. Em 2006, eu estudava à tarde e tinha insônia, não dormia muito. Depois comecei a me preparar pro vestibular, endoidei de vez e passei a dormir cada vez menos. Nesse ano, me deparei com o horário maluco da UFSC. Alguns dias tinha aula de manhã, outros não, enfim. Só sei que comecei a dormir bastante. Tirando o mês de junho que era fim de semestre e quem já está na faculdade sabe como é uma correria só.
Fiquei de férias na sexta e tenho dormido durante tanto tempo que até o Garfield ficaria impressionado. O pior é que isso não quer dizer que eu não tenha saído. Lanchei no Bob's e deixei uma amiga na rodoviária, resolvi algumas pendências, fui ao cinema (e assisti ao meu primeiro filme 3D. Super recomendo A Era do Gelo 3!), fui a um rodízio de pizza e hoje curti meia-horinha da Biblioteca Universitária no seu estado milagroso de silêncio (fim da semana de recuperação, ninguém estudando/conversando lá). Só que não fui assim tão rápida de scannear uma foto e meus documentos que meu pai precisa para a autorização da minha viagem. É, como só faço dezoito no fim do mês, preciso da autorização dos dois responsáveis para fazer a tal viagem internacional. Hoje que eu scannei isso tudo. Jamaica, me espere, estou quase a caminho!

5.6.09

Piso tátil = ???


Eu não sabia o que era piso tátil. E, não. Não tenho vergonha de falar isso. Quando eu ia ou voltava andando para a faculdade, reparava que numa parte da calçada tinha essas lajotas diferentes. Ficava me perguntando porque elas estavam ali e ainda reclamava, porque de alguma forma elas me incomodavam. Até que um dia na aula de Realidade Brasileira a professora mostrou o vídeo de uma deputada cadeirante (Ou vereadora? Não Lembro) de São Paulo mostrando como é difícil para um deficiente andar na Avenida Paulista. No vídeo, ela falou do piso tátil e foi nesse momento que eu entendi o que eram as tais "lajotas diferentes".
Nunca vi uma calçada sequer em São Luís que tivesse piso tátil. Das viagens que eu lembro, passei por várias capitais nordestinas, mas não lembro de ter visto alguma vez na vida. Hoje eu estava pensando nisso e percebi que morar a vida toda num lugar realmente deixa a pessoa meio que alienada. Assim como eu não conhecia piso tátil, muita gente daqui não sabe como é o Nordeste de verdade. Muito menos o Maranhão. Não adianta só enfiar a cara nos livros, conseguir passar no vestibular. Você já deve ter ouvido falar muito disso, mas conhecimento de mundo é essencial. Por isso, vou fazer um mochilão pelo Brasil inteiro (não mesmo!, mas bem que eu queria).