26.12.10

Tique nervoso

Em dois anos você pode mudar de gosto musical, fazer um curso técnico, aprender uma nova língua, virar ruiva. Não fiz nada disso, mas durante os últimos dois anos eu não vi uma vez sequer uma grande amiga que foi tão próxima que nos chamávamos de grude e que me passou a minha maior mania: ficar puxando fios de cabelo um por um, isso sem arrancá-los, claro!

Ela se mudou pra Goiânia realmente do nada. Fui prestar o vestibular em Floripa e quando voltei, cadê? O que você faz quando leva o título de eleitor em vez da identidade no dia da prova mais importante da sua vida? Se muda pra capital do Goiás, onde tem família, para fazer cursinho lá. Tão óbvio. Acontece que nesse meio tempo ela já é uma futura arquiteta e nossas férias maranhenses nunca tinha coincidido. Até hoje.

O sotaque eu já percebia pelo telefone, mas o que é esse erre goiano? Inclusive o tom de voz parece que mudou, mas fica por aí. Como a futura turismóloga filosofou, de longe parecemos ter uma vida tão interessante, parecemos tão cheias de si. Quando nos reencontramos, vemos que somos as mesmas, continuamos praticamente iguais às garotas que usavam uma farda verde e repartiam club social em 2008, 2007, 2006... 2003.

Temos amigas novas, novas decepções com o sexo masculino, roupas diferentes, mas eu pelo menos continuo com a franja. Arquitetura continua assim meio castanha meio loira. Turismo ainda faz luzes. Como é estudar na PUC e morar em Goiânia? Como é a vida em Floripa? A UFMA a gente conhece... Uma vez um amigo falou que quando revia os amigos da cidade natal, só ficavam relembrando de episódios que viveram quando moravam todos no mesmo lugar. Fico feliz que depois de cinco meses, um ou dois anos, posso reencontrar amigas e ignorar se já nos apaixonamos pelo mesmo cara ou se éramos muito feias dos 13 aos 16 anos. A gente quer saber o que uma faz sem a outra.

Mentira, queria mesmo era saber se a arquiteta continuava com nosso tique nervoso. Tudo isso porque na sexta série era obrigada a sentar atrás dela todos os dias, reclamava que ela puxando os cabelos me impedia de ver o quadro e acabei com a mania também. Hoje ela deu um nome que eu nem me lembro pro nosso hábito e explicou que teve origem num trauma, de infância provavelmente. Se tive uma infância traumática eu não sei, mas a osmose fez seu trabalho muito bem.

3 comentários:

Ana Lu disse...

Tem certas coisas que nunca mudam! E é tão gostoso constatar isso!
Beijos Lu

Camila disse...

A vida vai seguindo seu curso e o distanciamento dos amigos as vezes acontece fora do nosso controle, mas os momentos de reencontro são realmente belos.

Beijos!

paulinha disse...

UHUHSUHSAUHSUHSA ai, me emocionei :/