15.4.10

Blindely obvious

Pra mim, algo que caracteriza muito a "faculdade" é a oportunidade de assistir todas as palestras aleatórias que a gente quiser. Só que eu sempre acabo perdendo muito disso porque ou esqueço do evento ou vou nos que são chatos ou acabo dormindo porque sempre sinto sono. Mas numa semana que eu comecei odiando ter que usar um jeans preto já na segunda-feira, assisti a uma palestra chamada "Why blue jeans" com um antropólogo de uma universidade londrina.

Isso foi numa sexta à noite e eu tinha uma festa depois pra ir, mas valeu à pena mesmo tendo começado muito errada. A palestra foi divulgada pra toda a UFSC e, ainda assim, ela foi feita numa sala de aula normal chamada de "mini-auditório" (sendo que o auditório do prédio nem estava sendo usado). Sem contar que a tradução simultânea consistia numa doutoranda que sintetizava a fala dele em duas ou três frases em português. Mas nem posso reclamar disso, porque era o tempo que eu usava pra fazer anotações. Compreender em inglês e anotar ao mesmo tempo já é exigir demais de mim.

O Miller começou a palestra dizendo que, ao chegar num lugar novo, ele tem o hábito de ir a uma rua movimentada e contar quantas pessoas estão usando jeans entre as 100 primeiras que passarem. A média do porcentagem que ele encontra é de 50%. Aqui em Floripa, deu 60.

Primeiro ele comentou que o jeans azul ficou clássico porque o indigo era um corante natural que não precisava de fixador e, por isso, por largamente usado nos primórdios do surgimento da peça. E depois, começou a falar que o sucesso do jeans era "blindely obvious", tão natural que não chamava a atenção de ninguém. Mas que esse sucesso era um mistério a ser dissolvido e que o assunto precisa ser estudado.

Contou toda a história do surgimento do jeans no contexto da corrida do ouro nos Estados Unidos, da Levi-Strauss, dos jovens rebeldes que começaram a usar o jeans, da popularização... até chegar aos dias de hoje. Falou da relação da peça de vestuário com o comércio e o capitalismo, mostrou como determinadas culturas enxergam de maneiras diferentes o jeans e falou de diversas pesquisas que estão sendo feitas sobre o assunto.

Não vou falar aqui tudo que ele disse na palestra, é mais fácil ler sobre as pesquisas que ele já desenvolveu e se informar sobre o "Global denim", projeto que ele lançou para que vários antropólogos façam pesquisas que girem em torno do universo jeans. O incrível foi perceber como a gente realmente encara o jeans como uma zona de conforto. É uma peça confortável não só no sentido físico de ser bom de usar no dia-a-dia, mas também num sentido social. Da gente se sentir bem usando essa roupa porque ela meio que uniformiza, não chama atenção e não causa ansiedade na hora de escolher o que usar. Se for parar pra pensar, é incrível como temos a ideia de que o blue jeans (clássico) combina com tudo. Essa nossa ideia é tão forte que eu me recuso a aceitar que ela só surgiu porque fomos nos acostumando a achar o jeans mais que normal ao longo do tempo.

Sabe, eu tenho um jeans preto que eu odeio usar. Só visto quando é o jeito mesmo. Por que o azul é normal e o preto não? Caneta bic eu tenho o hábito de usar dessas duas cores, vai entender. Sei que agora vou lembrar dessa palestra, dessas pesquisas, do global denim e do antropólogo toda vez que usar jeans. (Sempre?). Mas... só eu fiquei com vontade de contar 100 pessoas e ver quantas estão usando o blue jeans?

5 comentários:

Nathy disse...

Nossa, até eu agora, vou lembrar do seu post quando for vestir um "blue jeans". Realmente é uma peça de roupa básica e confortável. Mas confesso, ela é mais confortável no sentido social, pq físico eu sou mais relaxada: gosto de uma calça de ginástica, um vestido, enfim. Mas é claro, o jeans vai com tudo, em qualquer momento. ;)

Beijos

Gabi Petrucci disse...

Blue jeans é o que há! \o/
Essa palestra deve ter sido MUITO interessante.
Fiquei curiosa pra saber o que mais ele disse...

Beijo

Luiza disse...

ahh que interessante! jeans realmente é bem comum...deve ser por isso que hj temos as variantes pra ela, que são os tipos skinny, boyfriend e etc..haha. deve ter sido bem legal essa palestra. adoro essas coisas antropológicas que partem de coisas normais do cotidiano.
beijo!

Lusinha disse...

Interessante a relação. Gosto quando as pessoas fazem essas associações despretenciosas, mas que nos levam a pensar em diversas coisas...
Realmente, sinto-me confortável dentro de um jeans e quando tudo dá errado, ele é a opção.
Bjitos!

Carol Rocha disse...

Haha, que legal esse seu post. A sua fala sobre a faculdade é bem o que eu penso. Acho engraçado porque eu também tenho super vontade de ir em todas as palestras que vejo nos cartazes dos corredores. Meu problema maior são os horários mesmo. E por falar em eventos acho que em julho vou aparecer aí na UFSC para o ENENUT ( encontro nacional dos estudantes de nutrição) . \o/
Nunca tinha parado (meeesmo) para refletir sobre essa questão tão cega do jeans ser uma peça universalmete "combinante". Engraçado isso.
Legal a chance de assistir uma palestra assim diferente.
Beijos e bom fim de semana. =)