8.2.10

Cinema na Jamaica: a experiência

O legal de fazer esses programas pequenos em vários lugares é conhecer as diferenças de cada país. Queria ter ido ao cinema nos Estados Unidos, mas sempre estávamos muito cansada pra assistir alguma coisa. E conhecendo nosso histórico de dormir em filmes, era melhor não arriscar. Agora estamos só descansando aqui em Kingston (capital da Jamaica) e fomos ao cinema daqui com mamãe e o padrasto.

O cinema fica num shopping minúsculo que fica aqui pertinho de casa e tem só duas salas de exibição. Pior é que eu acho que só existe esse cinema na cidade inteira. Duas salas para mais de 600 mil habitantes (é claro que fui ao google, nem imaginava que a cidade era mais populosa que Floripa): essa é a Jamaica. Enfim. Era uma quarta-feira e resolvemos assistir It's complicated (Simplesmente Complicado) com a Meryl Streep. Compramos os ingressos (600 dólares jamaicanos cada um, o equivalente a 12 reais), compramos pipoca fria e fomos procurar um lugar. A sala não era tão pequena quanto eu imaginava. Mamãe falou que a outra era bem menor. Tudo tinha um clima muito nostálgico com aquelas poltronas vermelhas antigas que fecham quando a gente levanta. Tinha suporte para o refrigerante, pelo menos. Mas sabe o melhor? Uma cortina cobria a tela!

Começaram as propagandas. Uns quinze minutos. Comemos boa parte da pipoca e começaram os vídeos sobre o país. Aquelas famílias felizes fazendo alguma refeição num parque feliz. Negros, brancos e amarelos, todos vivendo felizes e sem pobreza por perto. O beija-flor símbolo do país, os poucos prédios da capital, belezas naturais, tudo de bonito da Jamaica ao som do hino nacional. Sim, o hino. Quando todas as pessoas levantam de suas cadeiras, a maioria coloca a mão sob o peito e ficam murmurando a letra. Levantamos por educação, claro, mas é tudo muito surreal. O hino acaba, todos sentam e começam os trailers. 20 minutos de trailers. Minha irmã já tinha perdido a vontade de assistir ao filme quando ele finalmente começou.

Nos tocamos, então, que o filme não tem legenda e que iríamos nos virar com nosso inglês. O filme é bom, os atores não têm aquele sotaque péssimo dos jamaicamos, estávamos entendendo, nos envolvendo com a história, quando... Pause. Uma tela nos avisa que chegou a hora do "Intermission" e que a lanchonete está aberta. Fecham-se as cortinas. Rimos. Compramos uns chocolates, mas só depois de muito tempo o filme volta. Uma referência a The Graduate e a história me ganha. É muito engraçado, envolvente, os atores são perfeitos e foi um dos melhores filmes que vi esse ano. Lembrando que era uma comédia e não entendemos todas as piadinhas que apareceram no filme. Mas o pior era ouvir os jamaicanos rindo. Rindo alto e muito. Nunca vi povo tão efusivo, sério. E quando as cortinas se fecharam pela última vez, o pessoal aplaudiu. Bem, eles aplaudem o pouso do avião também. Vai entender.

Acho que valeu a experiência. E a sala não tem a melhor estrutura do mundo, mas talvez eu prefira essa relação intimista com a tela do que toda aquela modernidade do Cinesystem de Floripa (que foi o melhor cinema que eu já fui na vida, enfim). Hoje volto lá pra assistir Invictus, alguém já viu?

7 comentários:

jana disse...

Lu, que incríííííííível! Adorei, gente, puxa, uau! Muito legal a cortina, o intervalo, o hino nacional tocando, gente, uau! Amei mesmo, fiquei com a vontade de ir à Jamaica só pra ter uma experiências dessas auduaduahd (Será que tem disso em outros lugares? Na França não tinha não, é que nem aqui no Brasil, exceto que cinema nenhum fica em shopping, eles sempre dão pra rua, o que eu também acho muito amor.)

Luis disse...

Que demais!
Eu acho que o Brasil também deveria fazer isso (vide Vanuza).

E, bem, eu paguei uns 50 reais (se não me engano) pelo Moleskine. Ouch!

Thamy disse...

A gente, que espetáculo! Quero me mudar para a Jamaica tipo já!No cinema brasileiro se vc tá apertado de tanto beber refrigerante e quer ir ao banheiro, simplesmente ou espera ou perde o filme e aqui ninguém nem sabe como começa o hino nacional brasileiro (mas o hino do time é outra história né?)

Luiza disse...

Que máximo um cinema que tem cortinas e pausa. *-*' que coisa linda. E as pessoas ainda cantam o hino ^^'

Deyse Batista disse...

Olá!
De fato, eu nunca parei para divulgar meu blog, mas já que você deu a sugestão, porque não seguí-la? E me perdoe realmente pelo transtorno quando ao layout. Já mudei e, se recompensa alguma coisa, vou começar a comentar aqui sempre, haha. E acertou em cheio quanto à minha antiga escola e atual faculdade! Ah!, uma dica quanta às blogueiras maranheses: sigo um blog de uma menina de Imperatriz, muito bom, chamado 'Sem giz'. Deverias passar por lá, depois.
No mais, adorei os relatos de sua viagem. Deu vontade de cair no mundo também :)

Até mais.

Irena disse...

Acho que no Brasil deviam aderir a idéia desses intervalos, a pausa pro lanchinho. Sinto muita falta desse tipo de coisa quando vou ao cinema.
Aqui em Manaus filme só recebe aplauso quando tem algum pré-adolescente barulhento pelas cadeiras do cinema. E tenho certeza que eles não aplaudem porque gostaram do filme.
Não gostei muito desse filme, mas valeu por ter visto o John Krasinski com aquele pijama de menina.


P.S.: honestamente eu não faço IDÉIA de como conheci as poesias de Keats. Acho que meu professor de Literatura deve ter comentado algo sobre ele, não sei. Mas como ele é bem famoso tenho certeza que devo ter lido as poesias dele por aí, ou lido livros que fizeram referência a esse escritor (tenho quase certeza que em "Persuasão" a Jane Austen cita ele, junto com Lord Byron).

Ana Lu disse...

Ai Lu, que divertido experimentar essas coisas! E como é diferente hein?
O filme era longo? Ou será que todos tem intervalo mesmo??
Bjoss